Arquivos Europa | Lugares Viagens https://lugaresviagens.com.br/europa/ Uma Volta ao Mundo Wed, 05 Aug 2026 01:01:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.1 Onde o passado caminha de salto alto: a alma irresistível de Milão https://lugaresviagens.com.br/milao-italia/ Fri, 28 Nov 2025 18:27:00 +0000 https://lugaresviagens.com.br/?p=7633 Na capital da Lombardia, o design se encontra com a história. Muito além das passarelas da moda, está uma metrópole vibrante que pulsa entre catedrais góticas, aperitivos ao pôr do sol e uma logística que a torna a porta de entrada perfeita para a Itália Milão é uma cidade de contrastes que se harmonizam sob

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Na capital da Lombardia, o design se encontra com a história. Muito além das passarelas da moda, está uma metrópole vibrante que pulsa entre catedrais góticas, aperitivos ao pôr do sol e uma logística que a torna a porta de entrada perfeita para a Itália

Milão é uma cidade de contrastes que se harmonizam sob uma personalidade de elegância absoluta. Capital incontestável da moda e do design, a metrópole do norte da Itália vai muito além das vitrines sofisticadas do Quadrilátero della Moda ou do movimento cosmopolita de seus distritos financeiros. Entre o brilho dos desfiles e a agitação boêmia dos canais de Navigli, Milão revela-se um museu a céu aberto: das agulhas de mármore do Duomo — uma das maiores catedrais góticas do mundo — aos tesouros renascentistas como A Última Ceia, de Da Vinci, cada esquina narra a história de uma cidade que aprendeu a ditar tendências sem jamais esquecer suas raízes.

Essa vocação para o protagonismo não é recente. Fundada por tribos celtas por volta de 400 a.C. e rebatizada como Mediolano pelos romanos em 196 a.C., Milão sempre foi um ponto de poder. Por sua localização estratégica, chegou a substituir Roma como capital do Império Ocidental no século 4, período marcado pelo Édito de Milão e pela influência de Santo Ambrósio. Após sobreviver a saques de hunos e ostrogodos, a cidade renasceu sob o domínio carolíngio e consolidou-se, na Idade Média, como um próspero centro têxtil e comercial, tornando-se palco de coroação para imperadores do Sacro Império Romano-Germânico.

A identidade milanesa foi forjada entre as ambições de grandes dinastias e ocupações estrangeiras. Enquanto as famílias Visconti e Sforza transformavam o Ducado de Milão em uma potência cultural no Renascimento — atraindo gênios como Leonardo da Vinci e Bramante —, a cidade também enfrentava séculos de alternância entre os domínios espanhol, austríaco e as conquistas napoleônicas. Foi sob a regência austríaca que a urbanização ganhou contornos modernos, mas o espírito rebelde dos milaneses falou mais alto no século 19, quando Milão se tornou um dos principais focos do nacionalismo que culminaria na unificação da Itália.

No século 20, extremos da história: Milão foi o berço do fascismo de Mussolini, mas também o coração da resistência operária que ajudou a derrubar o regime. Hoje, reconstruída após a Segunda Guerra, a cidade pulsa como um motor econômico e industrial do país. 

Seja explorando o modernista Bosco Verticale, pedalando em uma bike elétrica pelo Parque Sempione ou saboreando uma autêntica massa em Brera, o visitante logo percebe que Milão não apenas sobreviveu ao tempo – o refinou, transformando séculos de invasões e glórias em uma metrópole vibrante e magnética.

O que fazer

Duomo

Se Milão é a capital italiana da moda e do design, a Praça do Duomo (Piazza del Duomo) é o palco onde toda essa energia converge. Muito mais do que um ponto geográfico, a praça no Centro é parada obrigatória mesmo para quem tem apenas algumas horas de conexão na cidade.

Dominando o cenário com sua fachada em mármore, a catedral Duomo de Milão é uma obra-prima do gótico que levou seis séculos para ser concluída. Embora sua magnitude externa renda fotos dignas de porta-retrato, o verdadeiro segredo reside no alto. Subir aos terraços da catedral permite caminhar por entre agulhas e estátuas milenares, com uma das vistas mais espetaculares da Europa a partir do telhado.

A experiência no lugar vai além dos monumentos. A praça é um organismo vivo onde o comércio se mistura a eventos artísticos e ao cotidiano dos milaneses. Ao redor, as opções são vastas. Na gastronomia, cafés e restaurantes com mesas ao ar livre, ideais para um aperitivo e, na vizinhança, o Palazzo Reale e o Palazzo dei Portici enriquecem o roteiro histórico.

O acesso é simples e direto. Seja em uma caminhada pelas ruas charmosas do entorno ou desembarcando na estação de metrô que leva o nome da praça, todos os caminhos levam ao Duomo.

Galleria Vittorio Emanuele II

A poucos passos da catedral de Duomo, a elegância ganha forma na Galleria Vittorio Emanuele II. Este centro comercial abriga algumas das grifes mais luxuosas do mundo e cafés históricos. É o local perfeito para o tradicional rituale del caffè, enquanto se observa o movimento efervescente da praça.

Se Milão é a capital mundial da moda, a Galleria Vittorio Emanuele II é a sua passarela mais reluzente. Conhecida carinhosamente pelos locais como Il Salotto di Milano (o salão de Milão), a galeria é um triunfo arquitetônico do século 19 que une a imponente catedral e o lendário Teatro alla Scala.

Construída entre 1865 e 1877, impressiona pelo design audacioso de dois arcos perpendiculares, coroados por uma abóbada de ferro e vidro. Ao caminhar sob a cúpula, o visitante é cercado por vitrines de grifes como Prada, Gucci e Louis Vuitton, que dividem espaço com comércios tradicionais e joias escondidas da cidade.

Antes de sair, reserve um momento para contemplar a arte que emoldura o passeio. No teto da abóbada central, mosaicos extraordinários rendem homenagem a Ásia, África, Europa e América.

No chão do octógono central, está o mosaico do escudo familiar dos Savoia, que estampa um famoso touro. Reza a lenda que dar uma volta completa sobre o animal, com o pé direito e os olhos fechados, garante sorte imediata. E se você estiver por lá na virada do ano, anote a dica: realizar o ritual exatamente à meia-noite do dia 31 de dezembro promete estender essa fortuna por todo o ano novo.

A experiência gastronômica na Galleria é um capítulo à parte. É possível viajar no tempo em estabelecimentos como o Café Biffi, fundado em 1867, ou desfrutar a culinária nos charmosos terraços que observam o movimento incessante dos turistas. Até o McDonald’s local se rendeu ao código de vestimenta milanês. Para harmonizar com a sofisticação do entorno, a rede adotou uma fachada exclusiva em preto e dourado.

Castello Sforzesco

As muralhas do Castello Sforzesco são o testemunho vivo do poder e da resiliência de Milão. Localizado a poucos passos do Centro, este complexo fortificado é um portal que transporta o visitante da Idade Média ao Renascimento em poucos passos.

Idealizado por Francesco Sforza no século 15 sobre as ruínas de uma fortaleza medieval, o castelo já foi de tudo: residência ducal de luxo, quartel militar e até base para exércitos estrangeiros.

Por seus pátios circularam figuras como Napoleão Bonaparte e gênios como Leonardo da Vinci. Hoje, após sobreviver a cercos e aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial, o Castello se consolidou como um dos maiores centros culturais da Itália.

Por fora, a arquitetura impressiona com suas torres robustas, fossos e passagens subterrâneas. Por dentro, o cenário se transforma em um labirinto de saber. Dividido em quatro andares, o Castello abriga museus que cobrem desde a pré-história até a arte moderna.

Entre os tesouros, destacam-se: a Sala delle Asse, onde o teto ostenta afrescos projetados por Da Vinci, o Museu da Piedade Rondanini, lar da última obra inacabada de Michelangelo, e a Pinacoteca, com telas de mestres como Tintoretto, Mantegna e Tiziano. Também estão aí museus dedicados a instrumentos musicais, móveis antigos e até um rico acervo egípcio.

A entrada nas dependências externas e pátios do castelo é gratuita. É o cenário perfeito para aquela foto em frente à Fonte da Piazza Castello antes de seguir para um descanso no vizinho Parque Sempione, que fica literalmente colado à fortificação.

Parque Sempione

O Parque Sempione é o local onde Milão finalmente permite-se respirar. Localizado estrategicamente atrás do Castello Sforzesco, este jardim de 47 hectares em estilo inglês não é apenas um refúgio para quem busca sombra e água fresca – é o quintal social dos milaneses e um museu a céu aberto que merece um espaço generoso no roteiro dos que chegam para conhecer a cidade.

Caminhar pelo Sempione é mergulhar em uma paisagem que se transforma com o calendário. No verão, o parque vibra. Os gramados recebem piqueniques entre amigos, apresentações musicais e eventos culturais que estendem o movimento até o pôr do sol. Nas estações mais amenas, as trilhas arborizadas e os pequenos lagos artificiais são o cenário para uma corrida matinal ou uma leitura silenciosa sob o balanço dos salgueiros.

O que diferencia o Sempione de um parque comum é a densidade histórica de seus monumentos. Por seus caminhos, estão marcos que contam a trajetória da Itália:

– Arco da Paz (Arco della Pace), obra-prima neoclássica de 1838. Localizado no final do parque, o arco marca o início do Corso Sempione e impressiona pela riqueza de suas estátuas e relevos.

– A Torre Branca, de 108 metros, é parada obrigatória. Um elevador leva os visitantes ao topo, oferecendo uma vista panorâmica. Em dias claros, é possível avistar até os Alpes.

– La Triennale di Milano é o templo do design e das artes aplicadas. Um museu essencial para entender por que Milão é referência mundial em estética e inovação.

– Arena Civica: inaugurada em 1807 com a presença de Napoleão Bonaparte, esta joia arquitetônica que remete aos anfiteatros romanos hoje sedia competições de atletismo e shows internacionais.

Quadrilatero della Moda

Se Milão é o coração pulsante da moda global, o Quadrilatero della Moda é sua artéria principal. Para o viajante que desembarca na capital da Lombardia, este conjunto de ruas, mais que destino de compras, é um museu a céu aberto do luxo, onde as vitrines ditam o que o mundo vestirá nas próximas estações.

O nome não é força de expressão. A área é geometricamente delimitada por quatro vias principais que concentram o maior PIB fashion por metro quadrado do planeta: Via Montenapoleone, Via della Spiga, Via Manzoni e Corso Venezia.

Caminhar por ali, a poucos passos de ícones como o Duomo e a Galleria Vittorio Emanuele II, é cruzar o caminho da elite internacional. Entre as fachadas históricas, não é raro avistar estrelas de cinema, grandes empresários e astros do futebol desfilando sacolas de grifes como Gucci, Prada, Armani, Valentino e Versace.

A Via Montenapoleone figura constantemente no ranking das dez ruas mais luxuosas do mundo, rivalizando diretamente com a Champs-Élysées, de Paris, e a Quinta Avenida, de Nova York.

Se o objetivo é renovar o closet, o calendário milanês é o melhor amigo. As famosas liquidações italianas têm datas rigorosas para começar: no inverno, o primeiro sábado de janeiro e, no verão, o primeiro sábado de julho.

As promoções costumam durar cerca de 60 dias, transformando o Quadrilátero em um campo de batalha — muito elegante, por sinal — para os caçadores de tendências.

Piazza dela Scala

Basta atravessar o “salão de festas” da cidade (a Galleria Vittorio Emanuele II) para desembocar em um espaço que respira intelecto, arte e poder civil – a Piazza della Scala. Dominando a praça com uma sobriedade neoclássica que esconde a grandiosidade de seu interior, o Teatro alla Scala é protagonista.

Inaugurado em 1778, não é apenas uma casa de ópera – é o templo máximo da lírica mundial. Observar sua fachada discreta é um exercício de elegância milanesa: a verdadeira riqueza se revela nos detalhes e na história de quem já pisou aquele palco, de Verdi a Maria Callas.

No centro da praça, imperturbável diante do fluxo de turistas e executivos, está o Monumento a Leonardo da Vinci. Esculpida por Pietro Magni em 1872, a estátua apresenta o mestre renascentista cercado por quatro de seus discípulos.

A harmonia arquitetônica do local é completada por dois gigantes:

– Palazzo Marino: situado logo em frente ao teatro, este palácio do século 16 é a sede da prefeitura. A fachada renascentista e os pátios internos representam o poder cívico e o artesanato refinado da Itália.

– Palazzi delle Gallerie d’Italia: antigas sedes bancárias que hoje abrigam um acervo artístico invejável, conectando a praça ao circuito das grandes galerias, como a Pinacoteca de Brera.

Visitar a Piazza della Scala é mergulhar no lifestyle local. É o lugar perfeito para um espresso rápido entre uma visita cultural e outra, observando o movimento dos artistas de rua e o vaivém elegante dos milaneses. A praça resume o espírito da cidade: beleza, criatividade a tradição inabalável.

Bosco Verticale

No coração do bairro de Porta Nuova, onde o vidro e o aço definem a nova silhueta de Milão, um monumento vivo rouba a cena e redefine o conceito de selva de pedra. O Bosco Verticale, projetado pelo escritório Boeri Studio, é um manifesto arquitetônico que prova ao mundo ser possível trazer a floresta para o centro da metrópole.

Inaugurado em 2014, o complexo é formado por duas torres de 76 e 110 metros que abrigam uma biodiversidade impressionante. São cerca de 900 árvores, 4,5 mil arbustos e 15 mil plantas que, se espalhadas horizontalmente, ocupariam uma área equivalente a 40 mil metros quadrados de floresta — quase seis campos de futebol comprimidos em duas torres residenciais.

Um deleite visual, a vegetação também funciona como pele viva. Cada espécie foi escolhida a dedo e pré-cultivada por dois anos em viveiros para garantir que suportariam os ventos e a exposição solar de Milão.

Para o viajante que caminha pela Piazza Gae Aulenti, o Bosco Verticale nunca é o mesmo. O edifício é um organismo mutável. No verão, as copas densas criam um microclima que reduz a temperatura interna em até 3°C, filtrando partículas de poeira e absorvendo CO². No inverno, com a queda das folhas, a luz solar penetra livremente nos 113 apartamentos, garantindo luminosidade e conforto térmico.

Além do cinturão verde, as torres são equipadas com painéis fotovoltaicos que auxiliam na autossuficiência energética, consolidando o edifício como um case de sucesso em design biofílico. O Bosco Verticale não apenas observa a cidade; ele a limpa, a resfria e a protege, provando que o futuro do turismo e da habitação urbana é, obrigatoriamente, verde.

O projeto já recebeu o título de arranha-céu mais bonito e inovador do mundo pelo International Highrise Award, superando 800 concorrentes globais. Viver aí é a síntese do luxo contemporâneo: ter à disposição a tecnologia de uma cidade inteligente e, ao abrir a janela, ouvir o canto de pássaros que encontraram um novo refúgio urbano.

Brera e Porta Garibaldi

Milão é uma cidade de camadas, onde o passado e o amanhã convivem a poucos passos de distância. E nenhum trajeto é tão emblemático quanto a transição entre o charme boêmio de Brera e a sofisticação arrojada de Porta Garibaldi.

A jornada começa nas ruas de paralelepípedos de Brera. Mais do que um bairro, é um estado de espírito. Entre lojas de design, perfumarias artesanais e bares, o local convida a um caminhar sem pressa. 

Não pode faltar a ida à Pinacoteca de Brera. Instalada em um antigo convento do século 14, a galeria é um santuário para os amantes da arte, abrigando obras-primas de gênios como Rafael, Caravaggio e Piero della Francesca.

Ao final da tarde, o bairro se transforma. É a hora do sagrado aperitivo italiano. As mesas nas calçadas se enchem de copos vibrantes de Aperol Spritz, marcando o início da vida noturna milanesa em um cenário que parece ter parado no tempo.

Seguindo pela longa e movimentada Corso Garibaldi, o cenário começa a mudar. Se Brera é a Milão clássica, a região de Porta Garibaldi é o portal para a modernidade. O bairro serve de conexão entre o centro histórico e o futurista distrito de Porta Nuova.

Embora menos densa em monumentos tradicionais, a Porta Garibaldi oferece um turismo de estilo de vida. É um lugar para guardar o celular e observar o movimento. No Largo la Foppa, o olhar é imediatamente atraído pelo mural da Gucci, tela urbana que muda constantemente, refletindo o dinamismo da moda local.

O símbolo do bairro é o arco neoclássico, construído originalmente para homenagear Francisco I da Áustria, em 1825 e, mais tarde, rededicado ao herói Giuseppe Garibaldi. A poucos metros, a história dá lugar ao aço e ao vidro da Piazza Gae Aulenti. Caminhar por aqui é testemunhar a Milão que dita tendências globais. Atualmente, Porta Garibaldi também é um dos distritos da cidade.

Convento Santa Maria de la Grace – A Última Ceia

Em Milão, existe um endereço onde o tempo parece pausar para reverenciar o gênio humano: a Igreja Santa Maria delle Grazie. Mais do que um templo de arquitetura renascentista deslumbrante, o complexo abriga o que muitos consideram a pintura mais influente de todos os tempos: A Última Ceia, de Leonardo da Vinci.

A história desse Patrimônio Mundial da UNESCO começa com a ambição de Francesco Sforza. O então Duque de Milão desejava transformar uma pequena capela no mausoléu de sua linhagem. Para isso, convocou o arquiteto Guiniforte Solari para erguer o convento dominicano e a igreja, mas foi o envolvimento de Da Vinci que elevou o local ao status de santuário das artes.

Pintado entre 1494 e 1498 nas paredes do refeitório do convento, o afresco de dimensões monumentais — 4,6 metros de altura por 8,8 metros de largura — captura o exato momento em que Jesus anuncia que será traído. A carga dramática e o realismo psicológico dos apóstolos inauguraram uma nova era na história da arte, fruto de anos de esboços e estudos minuciosos de Leonardo.

Estar diante desta obra é uma experiência exclusiva e, por que não dizer, emocionante. Devido à fragilidade do afresco e aos rigorosos controles de conservação, as visitas são milimetricamente organizadas: apenas 35 pessoas por vez, com 15 minutos de imersão total no refeitório.

As vagas costumam esgotar com meses de antecedência. A recomendação para o viajante é garantir sua reserva com, no mínimo, 60 dias antes do passeio. Mesmo que você não consiga ingressos para o cenáculo, não ignore a Igreja de Santa Maria delle Grazie. Sua arquitetura é uma aula viva de história e seu interior guarda afrescos e esculturas que, por si só, já valeriam a visita.

Navigli

O bairro de Navigli é onde Milão finalmente solta o nó da gravata. Cortado por canais históricos que remontam ao século 12, esse distrito converteu seu passado industrial em um presente vibrante, tornando-se o refúgio preferido de artistas, jovens e viajantes em busca da verdadeira vida milanesa.

Não se pode falar de Navigli sem mencionar o happy hour. Entre as 18h e as 21h, as margens dos canais se transformam em uma imensa sala de estar a céu aberto. O conceito é simples e irresistível: ao pedir um drink — sendo o Aperol Spritz o rei absoluto da hora dourada — muitos estabelecimentos oferecem uma seleção de petiscos que variam de bruschettas a buffets completos. É o momento de celebrar o pôr do sol enquanto as luzes dos bares começam a refletir nas águas do Naviglio Grande.

Originalmente construídos para irrigação e transporte de mercadorias — incluindo o mármore usado na construção do Duomo — os canais hoje servem como cenário para passeios românticos de barco e descobertas históricas.

O Vicolo dei Lavandai é um mergulho na nostalgia. Este “beco dos lavadeiros” preserva os tanques de pedra onde homens (sim, no século 19 o serviço era predominantemente masculino) lavavam roupas.

Nas duas margens, o Naviglio Grande (o mais antigo) e o Naviglio Pavese ditam o ritmo do bairro. Durante o dia, o visitante pode explorar as galerias de arte alternativa e perder-se pelas charmosas Via Corsico e Via Vigevano.

Embora a primavera e o verão sejam as épocas mais movimentadas, o bairro mantém seu charme no outono. No inverno, os canais podem estar vazios para manutenção, mas os bares aquecidos garantem o acolhimento necessário.

Para aproveitar, esqueça o salto alto – as ruas de pedras irregulares e desníveis históricos são inimigas da elegância desconfortável. Vá de tênis ou sapatos baixos. A proximidade com a água traz convidados indesejados. Se visitar o bairro entre o final da primavera e o verão, o repelente é item obrigatório.

E, se o clima fluvial te conquistar, aproveite a proximidade para um bate-volta ao Lago de Como. Cidades como Varenna e Bellagio oferecem um contraste de serenidade que complementa a agitação de Navigli.

Onde comer

Osteria da Fortunata

Milão pode até ser a capital do design e do luxo, mas quando o assunto é conforto no prato, a cidade se rende a uma lenda que veio de Roma. A Osteria da Fortunata não é apenas um restaurante – é um espetáculo de autenticidade que começou em 1921 com a matriarca Fortunata e hoje se expande pelo mundo sem perder a essência do fatto a mano.

O que primeiro chama a atenção de quem caminha pelo charmoso distrito de Brera não é um menu impresso, mas sim a vitrine. Ali, livres de publicidade e cheias de orgulho, massas frescas são moldadas em tempo real diante dos olhos curiosos de quem passa. É um convite visual impossível de ignorar.

No comando dessa herança está a sabedoria da vovó Iris, que personifica a dedicação ao artesanato culinário, garantindo que o tomate, a batata e a farinha mantenham o padrão de excelência de um século atrás. É a gastronomia mediterrânea em sua forma mais pura: ingredientes de cultivo próprio e respeito absoluto ao tempo das receitas.

Prepare o espírito (e as pernas), pois conseguir uma mesa na Fortunata é um desafio que testa a paciência dos turistas e locais. A fila na porta é uma constante desde a abertura até o último cliente, mas o esforço é recompensado no primeiro garfo.

Diferente da formalidade milanesa, aqui o clima é acolhedor, descontraído e vibrante. O espaço é íntimo — o que dificulta grandes grupos — mas compensa com um serviço simpático e uma atmosfera que faz o cliente se sentir parte da família.

Entre os pratos, o Tagliolino Cacio e Pepe é um destaque. A massa caseira, servida com um molho cremoso, é uma celebração da técnica romana em solo milanês.

Panzeroti Luini

Se existe um ritual que une turistas apressados e moradores em seu intervalo de almoço, ele atende pelo nome de Panzerotti Luini. Localizado a poucos passos da catedral Duomo, escondido em uma ruela, essa pequena lanchonete é um patrimônio histórico fundado em 1949.

Embora o panzerotto seja uma iguaria originária da Apúlia, no sul da Itália, foi a família Luini quem o transformou no sinônimo definitivo de comida de rua milanesa. À primeira vista, ele lembra um mini calzone em formato de meia-lua, feito com uma massa leve que remete à de pizza.

A dúvida de quem chega ao balcão é sempre a mesma: assado ou frito? O recheio mais tradicional é o de tomate com mozzarella, mas não há comparação com o queijo conhecido no Brasil. A mozzarella italiana utilizada aqui é fresca, cremosa e derrete de forma única.

O Luini é “pegar e levar”. O espaço é minúsculo e não há mesas, então o charme está em garantir o pacote de papel e devorar o lanche ainda quente, ali mesmo na calçada, ou caminhando entre as vitrines do centro.

Quase sempre haverá uma fila quilométrica na porta, mas ela anda rápido e o aroma que sai da cozinha serve como o melhor estímulo. O panzerotto é relativamente pequeno. Para evitar o arrependimento e uma nova volta à fila, peça pelo menos dois (um frito e um assado é a melhor estratégia). Um pequeno detalhe para não errar no pedido — panzerotto é o singular; panzerotti é o plural, variações do mesmo tema: uma das refeições mais autênticas da viagem.

Onde se hospedar

B&B Hotel Milano City Center Duomo

Escolher a base certa em Milão é o primeiro passo para ditar o ritmo da viagem. Enquanto o charmoso bairro de Brera atrai os amantes do design e Navigli ferve com a vida noturna às margens dos canais, o Centro Histórico continua sendo a escolha imbatível para quem tem pouco tempo e quer vivenciar a grandiosidade da capital da moda a pé.

Para o viajante que busca conforto sem abrir mão de uma localização privilegiada, o B&B Hotel Milano City Center Duomo se sobressai como um porto seguro. Situado em um ponto estratégico, o hotel permite que o hóspede tome o café da manhã e, em menos de dez minutos de caminhada, esteja diante da Piazza del Duomo ou admirando as vitrines da Galleria Vittorio Emanuele II.

A logística é o maior trunfo do hotel, que está cercado pelo Castello Sforzesco, o Teatro alla Scala e a igreja de Santa Maria delle Grazie. A três minutos da estação de metrô Cairoli e da parada de bonde Via Cusani, o deslocamento para áreas mais distantes da cidade torna-se simples e rápido.

Com uma proposta moderna e focada no custo-benefício, o hotel oferece 59 quartos equipados com Wi-Fi gratuito de alta velocidade, ar-condicionado, cofres para notebooks e um ambiente totalmente voltado para não fumantes.

O destaque vai para o terraço coberto, espaço para planejar o roteiro do dia, e encontrar a hospitalidade da equipe, frequentemente elogiada pelos hóspedes. Para quem não dispensa a gastronomia local, na vizinhança fica o restaurante Aldente, a poucos metros de distância, que oferece um mergulho na culinária italiana tradicional logo após o check-in.

A localização é tão bem avaliada que casais costumam dar nota 9,6 para estadias a dois. É a escolha certa para quem quer acordar cedo e fotografar a catedral antes da chegada das multidões de turistas.

Como chegar 

Cosmopolita e estrategicamente bem localizada, a cidade no norte da Itália é uma das portas de entrada mais eficientes para quem deseja explorar o Velho Continente. A boa notícia para os viajantes brasileiros é que o bilhete de embarque para esse centro de design e história está a apenas um voo de distância.

Para quem preza pela conveniência, a Latam opera voos diretos partindo do Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU) rumo ao Aeroporto de Milão-Malpensa (MXP). Esta é a forma mais rápida de começar a jornada italiana.

Outra alternativa é voar diretamente para Roma — com saídas de São Paulo e Rio de Janeiro — e de lá seguir para o norte. Se a ideia é fazer um tour europeu antes de chegar à Lombardia, companhias como TAP (via Lisboa), Iberia (via Madri) e KLM (via Amsterdã) oferecem conexões frequentes que ligam o Brasil a Milão com apenas uma parada.

Se você já estiver circulando pela Europa, fique atento aos aeroportos secundários. Enquanto o Linate (LIN) é o queridinho pela proximidade (a  apenas nove quilômetros do centro), o aeroporto de Bérgamo (BGY) é a base principal das companhias low cost, oferecendo passagens por preços imbatíveis.

Localizado a 52 quilômetros do centro, o Aeroporto de Malpensa oferece opções para todos os perfis de viajantes:

– Malpensa Express: a opção mais inteligente para evitar o trânsito. O trem liga o aeroporto à estação Milano Centrale em cerca de 51 minutos. As partidas ocorrem a cada meia hora.

– Ônibus executivos: empresas como Terravision e Malpensa Shuttle operam trajetos diretos até a Estação Central. É uma escolha econômica e com saídas frequentes (a cada 20 minutos em horários de pico).

– Conforto particular: para quem viaja em grupo ou com muitas malas, o transfer privativo garante o desembarque na porta do hotel. Já os táxis possuem tarifa fixa para o trajeto até o centro.

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Perfume de manjericão e brisa marinha: um mergulho em Gênova https://lugaresviagens.com.br/genova-italia/ Tue, 14 Oct 2025 17:16:00 +0000 https://lugaresviagens.com.br/?p=7628 Entre ruelas e tesouros escondidos, a capital da Ligúria conquista pelo paladar e pela vida vibrante de seu porto renovado, provando que a cidade de Colombo ainda tem muito a ser descoberta Espremida entre as montanhas da Ligúria e o azul do Mar Tirreno, Gênova, na Itália, é um labirinto de épocas sobrepostas. Antiga rival

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Entre ruelas e tesouros escondidos, a capital da Ligúria conquista pelo paladar e pela vida vibrante de seu porto renovado, provando que a cidade de Colombo ainda tem muito a ser descoberta

Espremida entre as montanhas da Ligúria e o azul do Mar Tirreno, Gênova, na Itália, é um labirinto de épocas sobrepostas. Antiga rival de Veneza e Pisa, esta capital portuária carrega no DNA a audácia das repúblicas marítimas que em outras épocas ditaram o ritmo do comércio mundial. 

Do alto da colina de Castello, onde os primeiros assentamentos surgiram há cinco milênios, aos modernos terminais que hoje competem com Marselha pelo protagonismo no Mediterrâneo, a cidade exala uma atmosfera de resiliência e grandeza que sobreviveu a invasões cartaginesas, bombardeios e séculos de disputas políticas.

Caminhar pelas ruas de Gênova é tropeçar na Era de Ouro a cada esquina. Berço de Cristóvão Colombo e de quatro papas, o lugar ostenta as Strade Nuove e o conjunto de palácios Rolli — um complexo arquitetônico tão esplendoroso que garantiu o título de Patrimônio da Humanidade pela Unesco. 

Entre igrejas centenárias e fachadas barrocas, o visitante descobre o legado dos banqueiros e mercadores que enriqueceram com as Cruzadas e com a seda do Oriente, transformando este antigo centro industrial em um museu a céu aberto que parece ter parado no tempo, mas que pulsa com uma energia jovem.

O coração desse organismo vivo bate no Porto Antigo, onde o passado marítimo foi revitalizado pelo olhar contemporâneo. Aí, a tradição das navegações encontra o futuro em atrações como o Aquário de Gênova — um dos maiores da Europa — e a Biosfera, uma joia de vidro que abriga um ecossistema tropical. 

Para quem busca uma perspectiva única, o elevador panorâmico Bigo oferece uma visão de 360 graus a 40 metros de altura, revelando o contraste fascinante entre os telhados de terracota do centro medieval e a infraestrutura de ponta.

Mas Gênova guarda seu maior charme para quem se permite perder em seus estreitos becos medievais que revelam bares vibrantes e uma vida noturna efervescente. É nesse cenário, onde o perfume do manjericão fresco se mistura à brisa salgada, que o turista entende a alma genovesa: uma mistura de simplicidade acolhedora e sofisticação histórica. Para o entusiasta de arquitetura, o amante da gastronomia ou o explorador de paisagens cinematográficas, Gênova convida a uma imersão profunda na verdadeira essência da Itália litorânea.

O que fazer

Catedral de São Lourenço

Se Gênova fosse resumida em uma única imagem, ela provavelmente teria as listras em mármore preto e branco da Catedral de São Lourenço. Erguida por volta de 1098, a catedral, marco religioso da capital da Ligúria, é um testemunho vivo da resiliência genovesa, onde o tempo parece ter depositado estilos que vão do românico ao neoclássico.

Ao chegar à Piazza San Lorenzo, o visitante é confrontado pela imponência gótica da fachada do século 13. Guardando a entrada, dois leões de mármore observam o movimento da praça. A arquitetura é um quebra-cabeça histórico: enquanto as naves laterais preservam o ar robusto do românico, o interior deslumbra com colunas góticas e altares barrocos. 

E a catedral guarda tesouros. No Museu das Relíquias (Museu do Tesouro), o destaque é o Sacro Catino. Durante séculos, acreditou-se que este prato de vidro verde (trazido das Cruzadas) era o próprio Santo Graal.

A capela abriga as cinzas de São João Batista, padroeiro da cidade. As relíquias chegaram a Gênova após a Primeira Cruzada e, até hoje, atraem fiéis e curiosos de todo o mundo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1941, um bombardeio inglês atingiu a catedral. Uma granada perfurou o teto da nave, mas, em um evento que os locais narram com fervor, o artefato nunca explodiu. Hoje, uma réplica exata da granada está em exibição no local.

A poucos passos dos famosos Palazzi dei Rolli, a catedral é o ponto de partida ideal para explorar o centro histórico. A entrada no corpo principal da igreja é gratuita. No entanto, por alguns euros, é possível subir na torre e desfrutar uma das vistas mais privilegiadas do horizonte genovês e do Mar Lígure.

Piazza de Ferrari

A Piazza De Ferrari carrega a alma de Gênova. Situada na fronteira invisível onde o labirinto medieval do centro histórico encontra a elegância da cidade moderna, a praça não é apenas um centro de referência – é um cartão-postal da cidade.

Dominada por uma fonte de bronze, a praça é emoldurada por gigantes arquitetônicos que narram séculos de glória genovesa. Ao caminhar por ali, o olhar esbarra na imponência do Palazzo Ducale, na fachada neoclássica do Teatro Carlo Felice e na sobriedade do Palazzo della Regione. 

No século 19, o que se vê hoje era um terreno acidentado, ocupado pela igreja de San Domenico e por uma pequena colina cercada de palacetes. Para dar lugar ao progresso e criar um espaço de convivência social, a colina foi aplanada e edifícios foram demolidos, abrindo caminho para o grande salão urbano que Gênova agora ostenta.

O símbolo máximo da praça — sua bacia de bronze — é relativamente recente e narra uma história de persistência. Desenhada pelo arquiteto Giuseppe Crosa di Vergagni, a fonte foi um presente póstumo de Erasmo Piaggio em 1936, e precisou percorrer um longo e complexo trajeto pelas avenidas mais largas da cidade até ocupar seu lugar de honra. Revitalizada entre as décadas de 90 e 2000, a Piazza De Ferrari é também motor econômico da cidade, abrigando sedes bancárias e seguradoras.

Palazzi dei Rolli

Caminhar pelo centro histórico de Gênova convida a olhar para cima. A cidade encontrou no século 16 uma solução arquitetônica vertical que se tornaria única no mundo: os Palazzi dei Rolli.

Mais do que residências aristocráticas, este conjunto de mais de 100 edifícios — dos quais 42 são protegidos como Patrimônio Mundial da Unesco — representa o auge do chamado “Século dos Genoveses”. Naquela época, a República de Gênova não era apenas uma potência marítima, mas o cofre da Europa, ditando as regras do sistema financeiro global.

O nome “Rolli” remete a 1576. Na falta de um palácio real oficial para receber dignitários estrangeiros, a República criou listas oficiais (os rolli) de residências privadas que, pela sua opulência, estavam aptas a hospedar príncipes, embaixadores e prelados.

Para abrigar tamanha grandeza, Gênova criou as Strade Nuove, hoje conhecidas como Via Garibaldi, Via Balbi e Via Cairoli, ruas que são verdadeiros museus a céu aberto. A arquitetura é um espetáculo de engenhosidade. Como o espaço era escasso, os palácios foram desenhados com entradas que conectam o exterior ao luxo interno, escadarias cenográficas, jardins suspensos e afrescos.

Atualmente, o viajante pode mergulhar nesse passado visitando os Museus da Strada Nuova, que conectam os Palazzo Rosso, Palazzo Bianco e Palazzo Doria Tursi. Outros, como o Palácio Real e a Galleria Nazionale di Palazzo Spinola, mantêm o fôlego de quem acaba de entrar em uma cápsula do tempo barroca.

Porto Antigo

Diante do Mar da Ligúria, O Porto Antigo, outrora o motor econômico de uma das repúblicas marítimas mais poderosas do mundo, é hoje o maior símbolo da reinvenção genovesa. Com mais de mil anos de história, o porto que viu nascer as ambições de Cristóvão Colombo deixou de ser uma área industrial negligenciada para se tornar vitrine de cultura e lazer.

A virada de chave aconteceu em 1992, sob o traço do arquiteto Renzo Piano. Em celebração aos 500 anos da descoberta da América, Piano — ele mesmo um filho ilustre de Gênova — devolveu o mar aos cidadãos. O resultado é uma orla que equilibra a herança naval com a sofisticação moderna.

Caminhar pelo Porto Antigo é deparar-se com estruturas que já se tornaram cartões-postais da Itália: Bigo, elevador panorâmico que oferece uma vista 360° da cidade; a Biosfera, gigantesca bolha de vidro e aço que parece flutuar sobre a água e guarda um jardim tropical com espécies raras; e o Aquário de Genova, uma imersão em ecossistemas marinhos globais.

Por ali também, o Galata Museo del Mare narra séculos de construção naval e exploração. Bem perto, é possível avistar embarcações históricas atracadas.  No horizonte, o farol La Lanterna, um dos mais antigos do mundo ainda em operação, guia os navios e serve como um lembrete da resiliência genovesa.

A Ponte do Milênio, também projetada por Piano, conecta o porto ao centro histórico. Entre boutiques exclusivas, cafés charmosos e restaurantes que servem o autêntico pesto genovês com vista para os iates, a área ferve com festivais e concertos durante todo o ano. 

Piazza delle Erbe

Se o labirinto de ruelas do centro histórico de Gênova tivesse um coração, ele bateria na Piazza delle Erbe. Escondida entre edifícios medievais que parecem sussurrar segredos de séculos passados, essa praça é o exemplo da dualidade genovesa: um refúgio contemplativo sob o sol e o epicentro da efervescência urbana ao cair da noite.

O nome “Erbe” é uma herança direta dos tempos em que o local abrigava o mercado de ervas, frutas e verduras. Mas a história vai além: acredita-se que o antigo fórum da cidade romana de Genua estivesse localizado em seus arredores. No centro, a fonte de 1698, adornada com querubins, observa o vai e vem dos visitantes.

Hoje, os balcões de mercadorias deram lugar a mesas de bares e restaurantes que se espalham pelo pátio. A Piazza delle Erbe é estratégica para o viajante. A poucos passos de ícones como o Palazzo Ducale e a Porta Soprana, serve como a pausa ideal entre uma visita e outra.

Durante o dia, a atmosfera é charmosa e intimista, perfeita para apreciar os detalhes arquitetônicos e o ritmo pausado da Ligúria com um café em mãos.

À noite, especialmente às sextas e sábados, a praça se transforma. Considerada um dos melhores redutos da vida noturna de Gênova, atrai locais e turistas que buscam drinques, boa música e a energia contagiante das noites italianas.

Aquário de Genova

É no Porto Antigo que repousa uma das joias da coroa da Ligúria e um dos maiores orgulhos dos genoveses: o Aquário de Gênova. Projetado pelo arquiteto Renzo Piano para a Expo de 1992 — em celebração aos 500 anos do descobrimento da América — o complexo é hoje o maior da Itália e um dos mais prestigiados da Europa. 

Com uma estrutura de 27 mil metros quadrados, o aquário é um santuário de biodiversidade que abriga cerca de 15 mil animais de 400 espécies diferentes.

A experiência começa no Planeta Azul – um vídeo imersivo prepara o espírito para o que está por vir. Ao percorrer os corredores, o visitante se depara com a Grotta delle Murene, onde moreias e cavalos-marinhos dividem o protagonismo em tanques que recriam o fundo do Mediterrâneo.

Na Laguna das Sereias, as estrelas são os peixes-boi, mamíferos imensos que, no passado, alimentaram o imaginário de marinheiros solitários. Logo adiante, o clima muda na Baía dos Tubarões. Com iluminação baixa e som abafado, a sensação é de estar caminhando sob as ondas, cara a cara com tubarões-cinzentos e exemplares raros de peixe-serra.

Para as famílias, o ponto alto costuma ser o Tanque das Focas e o Reino dos Pinguins. No primeiro, é possível observar os animais tanto sob a perspectiva subaquática quanto do alto, vendo-os brincar fora da água. Já a área dos pinguins é uma reprodução fiel do clima das Ilhas Falkland, onde as aves nadam em águas geladas.

Ao lado do Aquário, uma silhueta de madeira chama a atenção. O Galeone Neptune não é uma relíquia do século 17, mas sim uma obra-prima cenográfica construída em 1985 para o filme “Piratas”, de Roman Polanski. O navio, que também serviu de cenário para a série “Neverland”, está aberto à visitação e oferece um mergulho lúdico no mundo da pirataria, complementando o dia de passeio na zona portuária.

Centro histórico

O centro histórico é o lugar onde o tempo parece ter decidido parar para observar o Mar da Ligúria. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, não é apenas um conjunto de monumentos, mas um organismo vivo: um dos maiores e mais densamente povoados centros medievais da Europa.

Caminhar por ali exige desapego ao GPS. A verdadeira alma genovesa revela-se nos caruggi — as ruelas estreitas, por vezes com menos de dois metros de largura, onde o sol mal toca o chão e o aroma de focaccia recém-saída do forno guia os passos dos visitantes. Entre um beco e outro, surgem as creuze, as ladeiras pavimentadas que sobem as colinas.

No coração desse emaranhado de pedras ergue-se a Catedral de São Lourenço. A poucos passos da rusticidade dos becos, a Via Garibaldi (antiga Strada Nuova) guarda os Palazzi dei Rolli.

O passeio pelo centro inevitavelmente desemboca na Piazza de Ferrari, com sua fonte monumental e o Teatro Carlo Felice, marcando a transição para a Gênova moderna. No Porto Antigo, o passado marítimo se encontra com o lazer contemporâneo. Entre o Aquário e o Bigo, o viajante percebe que, em Gênova, o mar nunca é apenas o horizonte — ele é o ponto de partida e chegada de toda a história.

Via Garibaldi

Estar na Via Garibaldi é fazer uma viagem no tempo rumo ao “Século de Ouro” de Gênova. Antigamente chamada de Via Aurea, a rua não recebeu esse nome por acaso: a opulência de suas fachadas reflete o auge financeiro e artístico de uma das repúblicas marítimas mais poderosas da história. 

É o endereço dos Palazzi dei Rolli. Hoje, essa passarela arquitetônica de estilos renascentista e barroco abriga os Museus de Strada Nuova, um complexo cultural que permite ao visitante adentrar o luxo de eras passadas.

Considerado o mais majestoso da via, o edifício do Palazzo Doria Tursi impressiona pela grandiosidade medieval e renascentista. Além de ser a sede da prefeitura, o palácio guarda relíquias, como objetos pessoais e o lendário violino “Il Cannone” de Niccolò Paganini, o virtuoso genovês que mudou a história da música.

Com sua estrutura em pedra branca, o Palazzo Bianco é um verdadeiro santuário para os amantes das artes. Ele detém a mais importante pinacoteca da Ligúria, onde as paredes ganham vida com pinceladas de mestres como Caravaggio, Veronese, Rubens e Van Dyck.

Erguido na década de 1570, o Palazzo Lercari Parodi é uma aula de arquitetura. Seus detalhes em mármore e pilastras dóricas compõem um cenário de elegância austera que define bem o espírito da antiga nobreza local.

Museu do Palácio Real

Na Via Balbi, o Museu do Palácio Real (Palazzo Reale) é uma joia que serve como uma cápsula do tempo para a aristocracia italiana. Passar por seus corredores é refazer os caminhos da história. Construído originalmente no século 17 pela família Balbi, o palácio atingiu seu ápice barroco sob o comando de Eugenio Durazzo, antes de se tornar, em 1824, a residência oficial da Casa de Saboia. Foi esse toque real que batizou o edifício e consolidou seu status como um dos centros de poder mais suntuosos da Ligúria.

Um trunfo do Palácio Real é a preservação. Ao contrário de muitos monumentos que se tornaram galerias vazias, aqui os ambientes mantêm sua integridade original. Na Galeria dos Espelhos, a luz do porto reflete em dourados e cristais, criando um cenário especial. Nas paredes, o acervo é um deleite para os amantes da arte, ostentando obras de grandes mestres.

Para uma experiência completa, a dica é subir ao jardim suspenso. Lá, o olhar se divide entre a vista panorâmica e o solo: o pátio é adornado com o risseu, o tradicional mosaico lígure feito de seixos pretos e brancos que forma desenhos geométricos.

A poucos passos dali, na Piazza di Pellicceria, o roteiro se completa no Palazzo Spinola. Se o Palácio Real impressiona pela escala, o Spinola encanta pelo detalhismo de uma unidade habitacional do século 16. 

Um detalhe curioso para os entusiastas da moda está no último andar: uma coleção dedicada aos têxteis que destaca a origem do Blu di Genova — o ancestral do jeans moderno —, além de cerâmicas francesas finíssimas. 

Museu de História Natural

O Museu de História Natural Giacomo Doria narra uma epopeia antiga. Fundado em 1867, este não é apenas o museu mais longevo de Gênova – é um dos santuários científicos mais respeitados da Europa. Guarda em seus arquivos 4,5 milhões de espécimes.

Localizado no entorno do parque Villetta Di Negro, o museu é um convite para desacelerar o ritmo turístico e viajar por eras geológicas. Logo na entrada, a grandiosidade se impõe com 23 salas distribuídas em dois andares que organizam o caos da biodiversidade global em uma narrativa fascinante.

O protagonista da seção de paleontologia é o esqueleto do Elefante Antigo Italiano (Elephas antiquus italicus), um gigante que caminhou por essas terras. Mas o museu não se limita ao que está enterrado.

No térreo, o visitante é transportado para a Savana Africana, onde leões, zebras e girafas parecem congelados no tempo contra horizontes pintados. Para quem busca a conexão com o mar, a alma de Gênova, a seção marinha impressiona com baleias, focas e peixes-espada que lembram a riqueza do ecossistema mediterrâneo.

O acervo tem espécies extintas, como o lendário Tigre da Tasmânia (Tilacino), e a maior coleção de insetos da Itália. A “Baleia de 20 metros” é uma das exibições mais fotografadas e dá a real dimensão da vida nos oceanos. O museu é um centro de pesquisa internacional, mantendo vivo o legado de Giacomo Doria e suas expedições globais.

Museu del Mare

Mais que a paisagem, em Gênova o mar é a própria espinha dorsal da cidade. E o Galata – Museo del Mare, traduz essa simbiose. No coração do Porto Antigo, este é o maior museu marítimo do Mediterrâneo, e um portal que transporta o visitante das galeras de madeira aos imponentes transatlânticos.

Estar no bairro de Darsena, onde o museu se ergue no Palazzo Galata, é pisar em solo sagrado para a náutica. O nome é uma homenagem à antiga colônia genovesa em Istambul, e o edifício ocupa o local onde, nos tempos áureos da República de Gênova, as temidas galeras eram construídas. Após décadas de abandono no século 20, o espaço foi revitalizado pelo arquiteto espanhol Guillermo Vázquez Consuegra, renascendo em 2004 como epicentro cultural da cidade.

O percurso pelo Galata é uma experiência imersiva. No térreo, uma reprodução em escala real de uma galera do século 17, ancorada sobre os diques originais, marca a visita. É possível quase sentir o cheiro da madeira e o peso da história ao observar as armas da antiga Darsena e documentos autografados pelo próprio Cristóvão Colombo.

Subindo os andares, a interatividade assume o comando:

– A Era da Vela: no primeiro e segundo andares, o turista sobe a bordo da brigantina “Anna” e sente o balanço de uma tempestade virtual no Cabo Horn, completa com efeitos sonoros.

– O Sonho da “Merica”: o terceiro andar guarda a exposição “La Merica”, que narra a saga da migração italiana. Através de simuladores, o visitante atravessa o Estreito de Gibraltar rumo à Ilha Ellis ou ao Porto de Santos, revivendo a esperança e as dificuldades dos emigrantes que cruzaram o Atlântico em navios superlotados.

O museu abriga ainda relíquias como o sino do transatlântico SS Rex e a balsa de sobrevivência de Ambrogio Fogar, que resistiu ao ataque de orcas nas Malvinas em 1978.

Atracado no cais logo à frente do museu, está o Nazario Sauro. Esse submarino diesel-elétrico, lançado em 1976, funciona hoje como um anexo flutuante. Descer por suas escotilhas e percorrer os corredores estreitos onde marinheiros viviam sob pressão é o desfecho de ouro para um dia de explorador.

Museo Nazionale dell´Emigrazione Italiana 

Se hoje o Porto de Gênova é um hub vibrante de cruzeiros de luxo, no século passado o cenário era outro: o cais era o palco de despedidas dolorosas e sonhos audaciosos. Desde maio de 2022, essa memória ganhou um guardião oficial: o Museo Nazionale dell’Emigrazione Italiana (MEI).

Instalado na histórica Commenda di San Giovanni di Prè — um complexo medieval que acolhia peregrinos na Idade Média — o museu está estrategicamente localizado próximo à estação ferroviária Genova Principe. Mais do que uma exposição estática, o MEI propõe uma jornada imersiva pela identidade italiana.

A visita se desenrola ao longo de 16 áreas temáticas distribuídas por três andares. O percurso narra a saga migratória desde a Unificação da Itália até os fluxos contemporâneos. O diferencial aqui é o toque humano. A história não é contada apenas por datas, mas por meio de diários amarelados, cartas de amor e saudade, fotografias e autobiografias reais.

Através de recursos interativos e cenografia de ponta, o visitante é convidado a sentir o peso da bagagem e a incerteza do embarque para destinos como as Américas, África e Austrália.

Casa Cristóvão Colombo

Para muitos, o nome Cristóvão Colombo remete imediatamente às caravelas e ao horizonte infinito do Atlântico. Mas, para entender o homem por trás do mito que redesenhou o mapa-múndi em 1492, é preciso ancorar em terra firme — especificamente em Gênova. É ali, a poucos passos da Porta Soprana, que se encontra um dos endereços mais emblemáticos da Itália: a casa onde o navegador passou sua juventude.

Localizada no centro histórico, a residência oferece um vislumbre da vida genovesa no século 15. O edifício, embora seja uma reconstrução fiel do século 18 — após o original ter sido castigado por bombardeios franceses em 1684 —, mantém a essência da estrutura onde o jovem Cristoforo viveu entre 1455 e 1470.

O layout do sobrado conta uma história de esforço familiar. No térreo, funcionava a oficina de seu pai, Domenico Colombo, que trabalhava com a tecelagem de lã e o comércio local. No andar superior ficavam os aposentos da família, o refúgio do jovem que, anos mais tarde, convenceria os Reis Católicos da Espanha a financiar sua busca por uma rota alternativa para as Índias.

Uma lápide na fachada principal não deixa dúvidas sobre o orgulho local: “Não há casa mais digna de consideração do que esta”. E há segredos guardados sob o piso. Restaurações recentes em 2001 revelaram canaletas medievais e até vestígios de alvenaria romana, provando que Colombo cresceu sobre camadas milenares de civilização.

Ao sair da casa, o viajante dá de cara com a Porta Soprana. Com suas torres gêmeas em estilo românico, esta entrada do século 12 era o limite das muralhas da cidade e servia como o cartão de visitas para quem chegava à Gênova medieval. A Casa de Colombo é a prova concreta que os genoveses ostentam para reafirmar a origem de seu filho mais ilustre.

Onde comer

Trattoria delle Grazie 

Se as paredes do número 48 da Via delle Grazie pudessem falar, elas contariam histórias que remontam ao século 13. Localizada no coração dos caruggi, os labirínticos e charmosos becos do centro histórico genovês, a Trattoria delle Grazie é um santuário da resistência gastronômica da Ligúria.

A poucos passos do Porto Antigo, o ambiente é o que se espera de uma autêntica osteria italiana: rústico, vibrante e assumidamente apertado. Ali, a proximidade entre as mesas não é um defeito, mas parte do charme, convidando à convivialidade típica do Mediterrâneo sob um teto secular.

O protagonista chega à mesa em tons de verde vibrante. O Trofie al Pesto da casa é frequentemente citado pelos locais e viajantes como “o melhor da vida”. A massa fresca e torcida é cozida com precisão artesanal junto a batatas e vagens — o toque tradicional que muitos lugares turísticos esquecem.

O segredo está no equilíbrio: o manjericão de folhas pequenas encontra o azeite da Ligúria e o queijo Pecorino, tudo processado para preservar a alma aromática da planta. 

Embora o pesto seja o cartão de visitas, o cardápio mergulha no receituário regional: do mar, anchovas frescas e uma fritura de peixe que estala na boca; da terra, o clássico Coniglio alla Ligure (coelho) e o reconfortante Pansotti com molho de nozes. O arremate é o tiramisù caseiro, cuja leveza é o contraponto perfeito para a robustez dos pratos principais.

Fantasie di Giò 

É em uma das ruelas pitorescas, a poucos passos do Aquário, que se esconde Le Fantasie di Giò. Parte padaria, parte mercearia de bairro, o local é o tipo de achado que jornalistas e viajantes experientes buscam: onde a fila mistura turistas curiosos e moradores apressados em busca do café da manhã perfeito.

A focaccia aqui não é apenas um acompanhamento – é a protagonista. Descrita por frequentadores como a melhor da cidade, equilibra uma textura leve e fofa com aquela casquinha salgada e crocante, finalizada com a quantidade exata de azeite.

Além da versão clássica, vale arriscar nas variações de cebola, queijo ou a surpreendente cacio e pepe. Como o pão é vendido por quilo, a experiência é acessível, permitindo experimentar diversos sabores sem pesar no bolso.

O espaço é pequeno, autêntico e sem frescuras. Com apenas algumas mesas e bancos, a disputa por um assento é acirrada. Faça como os moradores — peça sua focaccia para viagem e encontre uma praça ou um degrau ensolarado nas proximidades para degustar.

Caffè Fratelli Nadotti

O Caffè Fratelli Nadotti é a recompensa para quem desbrava o centro histórico de Gênova. Localizado na Via della Maddalena, este café é um mergulho em uma cidade que equilibra, com elegância, o respeito ao passado e o frescor da modernidade.

Ao cruzar a porta, o visitante é imediatamente transportado para os anos 1950. O protagonista da casa é a máquina de espresso vintage, que dá o tom nostálgico ao ambiente. E, embora a estética remeta ao século passado, o cardápio fala a língua do viajante contemporâneo.

Do balcão, saem desde o cappuccino clássico — executado com a precisão que só os baristas italianos dominam — até criações autorais como o coquetel de café “Marco Polo”, uma homenagem ao espírito explorador da cidade.

Para os amantes da gastronomia, o Nadotti funciona como um oásis de versatilidade. É o lugar onde a tradicional Focaccia di Recco convive harmoniosamente com pratos internacionais como o croque monsieur, panquecas fofas e waffles.

Em uma cidade por vezes tímida com estrangeiros, a equipe do Fratelli Nadotti brilha pelo atendimento caloroso. Fluentes em inglês e genuinamente interessados na experiência do cliente, os funcionários são frequentemente citados como “embaixadores” da cultura local, sempre prontos para compartilhar dicas sobre os museus e segredos da cidade.

Tazze Pazze

A Tazze Pazze é o ponto de encontro entre a tradição italiana e a precisão contemporânea. Essa cafeteria não é apenas uma parada para um “espresso rápido”, mas um reduto para quem leva o café a sério.

O diferencial da casa reside no controle absoluto da cadeia produtiva. Gerida por uma família apaixonada, a cafeteria conta com profissionais certificados como provadores e classificadores profissionais, que selecionam pessoalmente os grãos antes mesmo da compra.

A torrefação ocorre na fábrica Fratelli Pasqualini, onde máquinas de última geração executam perfis de torra desenhados especificamente para exaltar as notas aromáticas de cada blend. 

Apesar de pequena, a cafeteria encanta pelo ambiente acolhedor. Para quem visita, a experiência vai além do café. De manhã e para o lanche, pães frescos e chocolates artesanais. Na hora do almoço ou para a reunião de amigos, o cardápio tem sanduíches e saladas gourmet, além de uma seleção de vinhos e cervejas de qualidade.

O espaço externo é um ponto vibrante da cidade, frequentemente palco de eventos, demonstrações enológicas e degustações que animam a praça ao redor. Degustar um café aqui, cercado pelo cenário histórico de Gênova, traz uma sensação quase mágica. É o autêntico custo-benefício italiano: luxo sensorial com preços honestos.

Eataly

É no Porto Antigo, entre a brisa do Mediterrâneo e a arquitetura industrial renovada, que se encontra o Eataly, um santuário para quem não abre mão da alta gastronomia italiana. O nome — uma fusão de eat (comer) e Italy (Itália) — já entrega a proposta: uma rede que celebra o made in Italy em sua forma mais pura. 

Mas a unidade de Gênova tem um charme particular. Localizada em um prédio envidraçado que se projeta sobre as águas, a loja oferece uma vista panorâmica que compete em pé de igualdade com os produtos nas prateleiras.

Entrar no Eataly é como percorrer uma feira de luxo onde todos os sentidos são estimulados. Como capital da Ligúria, Gênova é a terra onde o molho pesto reina absoluto. No mercado, o verde do manjericão fresco e a variedade de azeites locais dominam as seções, servindo de acompanhamento para massas cujos formatos desafiam até o viajante mais experiente.

A seção de hortifrúti exibe cores tão vivas que os pimentões e pêssegos parecem objetos de decoração. Já na peixaria, o frescor do polvo cozido no vapor e os frutos do mar selecionados lembram a curta distância do Mediterrâneo.

Um dos destaques é a enoteca. Além das garrafas de rótulos premiados, o espaço convida à pausa com vinhos servidos diretamente de tonéis. A versatilidade é o que define o local. É possível comprar desde massas raras e sabonetes artesanais perfumados até sentar-se para uma refeição completa.

Na padaria própria, o aroma de pães recheados e a tradicional focaccia genovesa recém-saída do forno são irresistíveis. Para fechar a visita, a Agrigelateria Dalpian oferece iogurtes caseiros e gelatos que traduzem a doçura da estadia na cidade.

Onde se hospedar

Genova The Seven Residence

Embrenhado no centro histórico, o The Seven Residence surge como um refúgio de sofisticação contemporânea. Em meio ao Palazzo dei Rolli, hospedar-se aqui não é apenas escolher um quarto, mas vivenciar o prestígio da arquitetura genovesa com o conforto do século 21.

A apenas 150 metros do Palazzo Ducale e a uma caminhada de cinco minutos do Aquário de Gênova, o hotel é o ponto de partida ideal para quem deseja explorar a cidade a pé. Para os amantes da gastronomia local, a experiência começa logo na esquina. A poucos passos, a Ostaia de Banchi serve o melhor da culinária liguriana.

O design dos sete apartamentos de luxo equilibra o charme do passado com a funcionalidade moderna. Os destaques incluem pisos de parquete e janelas à prova de som, cozinhas totalmente equipadas, ideais para viajantes que gostam de visitar os mercados locais e preparar seus próprios antepastos, Wi-Fi de alta velocidade, ar-condicionado e até uma estação de recarga para veículos elétricos.

Seja para um casal em busca de romance ou para famílias que precisam de serviços como baby-sitting e berços, o The Seven se adapta. Para os mais aventureiros, a hospedaria facilita a organização de atividades que vão do mergulho nas águas cristalinas da Ligúria a passeios de ciclismo pelos arredores da cidade.

Como chegar

Para chegar a Gênova, pode não haver voos diretos saindo do Brasil, mas o trajeto até a Riviera Italiana é uma oportunidade para começar a absorver o charme europeu. Com um planejamento estratégico, a jornada de aproximadamente 12 horas atravessando o Atlântico torna-se o prelúdio perfeito para descobrir os segredos da Ligúria.

A logística mais eficiente geralmente envolve uma conexão em grandes hubs europeus: 

– A via portuguesa (TAP Air Portugal): uma das rotas mais populares, conectando diversas capitais brasileiras (como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro) a Gênova via Lisboa. É a opção ideal para quem busca praticidade, já que a conexão leva diretamente ao Aeroporto Internacional Cristoforo Colombo.

– A conexão italiana (ITA Airways & LATAM): partindo de Guarulhos ou do Galeão, voos diretos levam até Roma ou Milão. A partir desses centros, o viajante pode optar por um rápido voo doméstico ou aproveitar a excelente malha ferroviária italiana.

– Hubs europeus: outras gigantes como Lufthansa (via Frankfurt), Air France (via Paris) e Iberia (via Madri) também oferecem conexões frequentes para a capital da Ligúria.

O aeroporto de Gênova é um cartão de visitas por si só, localizado em uma península artificial em Sestri Ponente, a apenas 7 quilômetros do centro. Essa proximidade permite que, em poucos minutos após o desembarque, o turista já esteja caminhando pelas vielas do centro histórico.

Muitos viajantes optam por desembarcar em Milão devido à proximidade geográfica. De lá, o trajeto até Gênova é um passeio cênico. De Milão, o trem (Trenitalia ou Italo) leva entre uma hora e meia e duas horas, a opção mais rápida e sustentável. De Roma, para quem deseja cruzar parte da bota italiana, a viagem de trem dura entre quatro e cinco horas, revelando paisagens inesquecíveis pelo caminho.

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Dolomitas de Brenta: trilhas, lagos e sabores do Trentino, na Itália https://lugaresviagens.com.br/dolomitas-de-brenta-italia/ Sat, 20 Sep 2025 13:02:50 +0000 https://lugaresviagens.com.br/?p=7310 Quando recebemos o convite do Visit Trentino para conhecer as Dolomias de Brenta, nos Alpes italianos, não tínhamos ideia do quanto essa viagem iria nos transformar. Foram quatro dias intensos, de muito contato com a natureza, trilhas que exigiram resistência, refeições típicas cheias de sabor e, acima de tudo, paisagens que vão ficar para sempre

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Quando recebemos o convite do Visit Trentino para conhecer as Dolomias de Brenta, nos Alpes italianos, não tínhamos ideia do quanto essa viagem iria nos transformar. Foram quatro dias intensos, de muito contato com a natureza, trilhas que exigiram resistência, refeições típicas cheias de sabor e, acima de tudo, paisagens que vão ficar para sempre na nossa memória.

Vista para as montanhas no Parque Natural Adamello Brenta | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Parque Natural Adamello Brenta

O Parque Natural Adamello Brenta é a maior área protegida do Trentino, com 62 mil hectares. Criado em 1967, ele preserva tanto o maciço do Adamello-Presanella quanto a cordilheira Dolomitas de Brenta — Geoparque Mundial da Unesco. É uma região onde a natureza é abundante: ursos-pardos, íbex (espécie de cabra), marmotas (roedores) e uma infinidade de aves convivem com florestas de abetos, faias e rododendros que colorem os prados alpinos.

Só de respirar o ar puro e observar como a vida pulsa ali, já dá para sentir a força dessa paisagem.

Condutores e guias de turismo especializados nos acompanharam durante todo o percurso | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Dia 1 — Caderzone Terme

Nossa base inicial foi o pequeno vilarejo de Caderzone Terme, com pouco menos de 700 habitantes. Fica a cerca de 3 horas de carro de Milão e é a porta de entrada ideal para explorar as Dolomitas de Brenta.

Ali, tivemos uma manhã tranquila com yoga, para nos preparar para a aventura. No almoço, experimentei o prato mais típico do Trentino: o canederli, bolinhos de pão, queijo e ervas servidos em caldo. Uma delícia simples e reconfortante. 

Em Caderzone, a melhor opção de hospedagem é o Palazzo Lodron-Bertelli, um hotel 4 estrelas instalado em um palácio do século XV, com spa e restaurante de cozinha local. Recomendamos como ponto de partida para quem deseja explorar a região com conforto.

De lá, subimos a montanha até o Rifugio Cornisello (2.120 m), onde ficaríamos as próximas duas noites. O refúgio, recém aberto, é rústico, mas bem acolhedor. Quartos e banheiros coletivos, comida caseira e uma atmosfera de camaradagem típica dos refúgios alpinos. Tem apenas um quarto de casal, onde nos hospedamos com muito conforto!

Aula de Yoga em área aberta e deslumbrante, antes do inicio da caminhada | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Paisagens incríveis | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

 

Dia 2 — Val Lambrone: Lagos Cornisello e Vedretta

Acordamos cedo para um dia desafiador: uma trilha de 11 km pelo Val Lambrone até o Lago Vedretta (2.600 m). Foram cerca de 6 horas de caminhada entre subidas e descidas — nada fácil, mas cada esforço valia a pena.

No caminho, passamos pelos Lagos di Cornisello, a cerca de 2.100 m de altitude. São dois espelhos d’água encaixados numa grande bacia de montanha, acessíveis por estrada branca e trilhas curtas a partir do refúgio. O lago superior é mais profundo e com uma coloração leitoso-turquesa devido a sedimentos, enquanto o lago inferior é mais raso e límpido. Ambos com uma coloração turquesa de tirar o fôlego, um espetáculo de águas glaciais.

Chegar ao Lago Vedretta foi emocionante: um lago formado pelo degelo, cercado de picos nevados. Aos pés da montanha nevada, as enormes placas de gelo iam se desfazendo sobre o espelho d ‘água que refletia o céu, uma das paisagens mais lindas que já vimos na vida. A sensação de estar ali, no silêncio absoluto da montanha, é indescritível.

Fizemos um piquenique no meio da trilha, com pães, queijos e salames locais — uma pausa deliciosa e merecida. À noite, no refúgio, tivemos uma oficina com a simpática Maria Pia, mãe do proprietário do refúgio, que nos ensinou a preparar o canederli (prato típico da região do Trentino – bolinhos de pão, geralmente temperados com manteiga, queijo e outros ingredientes).  Foi divertido e nos sentimos ainda mais conectados com a cultura local.

Lago Cornisello | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Lago Vedretta | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Oficina de culinária com Maria Pia, que ensinou a preparar o canederli (bolinho típico da região) | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Um dos quartos do refugio com cama de casal e uma vista linda | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Dia 3 — Travessia Rifugio Cornisello x Segantini e Lago Negro

Deixamos o Rifugio Cornisello rumo ao Rifugio Segantini (2.373 m). O percurso tem apenas 4 km, mas levou cerca de 4 horas, já que é cheio de subidas e descidas em terreno pedregoso. No meio do caminho, encontramos o Lago Nero, a cerca de 2.200 m de altitude. Suas águas escuras refletem a dramaticidade da paisagem rochosa ao redor.

Chegar ao Rifugio Segantini foi uma recompensa. Conhecido como “ninho de águia”, ele oferece uma das vistas mais incríveis das Dolomitas de Brenta. O ambiente é simples e rústico, com dormitórios e banheiros coletivos, mas a energia do lugar é única. É frequentado por montanhistas e fotógrafos que buscam o nascer e o pôr do sol sobre as montanhas. À mesa, muita comida caseira, vinho e aquela sensação boa de partilha depois de um dia cansativo.

Lago Negro | Foto: Marden Couto

Comidas típicas da região, simples, mas muito bem preparadas  | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Rifugio Segantini | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Dia 4 — Descendo até a Malga D’Amol

No último dia, descemos até a Malga D’Amol, uma queijaria de montanha. A trilha foi mais leve, mas cheia de surpresas: prados floridos, marmotas correndo entre as pedras, aves planando sobre os picos.

Foi o final perfeito: fechar a viagem com o contato com as vaquinhas alpinas.

Vacas pastando na região, ao pé da montanha | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Alpes Italianos

Foram dias de esforço físico, mas também de contemplação, silêncio e gratidão. As Dolomitas de Brenta nos ensinaram que cada trilha é mais do que um caminho: é um encontro com a natureza e com a própria essência.

Se você ama aventura, paisagens de tirar o fôlego e tradições autênticas, coloque o Trentino na sua lista. Voltamos encantados — e temos certeza de que você também vai se apaixonar!

Vista do pé da montanha | Foto: Marden Couto / Lugares Viagens

Mais informações: trentinomarketing.org

 
Jornalistas e fotógrafo viajaram a convite do Enit e do Trentino Marketing 

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Setúbal, cidade das belas praias, do Bocage e do choco frito! https://lugaresviagens.com.br/setubal-cidade-das-belas-praias-do-bocage-e-do-choco-frito/ Mon, 15 Sep 2025 21:59:46 +0000 https://lugaresviagens.com.br/?p=7308 Setúbal celebra hoje o aniversário da cidade, reafirmando o orgulho de uma comunidade rica em história, cultura e tradições. Situada ao sul e a apenas 45 km (40min) de Lisboa, Setúbal encanta pela sua localização privilegiada, entre o estuário do Sado e a imponente Serra da Arrábida. Terra natal do poeta Manuel Maria Barbosa du

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Setúbal celebra hoje o aniversário da cidade, reafirmando o orgulho de uma comunidade rica em história, cultura e tradições.

Situada ao sul e a apenas 45 km (40min) de Lisboa, Setúbal encanta pela sua localização privilegiada, entre o estuário do Sado e a imponente Serra da Arrábida.

Terra natal do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765–1805), um dos maiores nomes da literatura portuguesa, Setúbal respira cultura e poesia.

Ao mesmo tempo, oferece aos visitantes e moradores um patrimônio diversificado: do Mercado do Livramento, considerado um dos mais belos do mundo, ao Convento de Jesus, joia arquitetônica do gótico manuelino.

A gastronomia é outro cartão de visita: o famoso choco frito (molusco marinho), os peixes e mariscos frescos e os vinhos da Península de Setúbal, com destaque para o Moscatel, conquistam todos os que passam pela cidade.

Já as praias da Arrábida, como Galapos, Figueirinha e Portinho da Arrábida, figuram entre as mais belas da Europa, unindo águas cristalinas e paisagens naturais de rara beleza.

Setúbal é símbolo de modernidade sem esquecer as raízes, unindo mar, serra, cultura e gente acolhedora. bhad bhabie baby daddy

A Câmara Municipal de Setúbal promoveu diversas atividades em celebração ao Dia da Cidade, com apresentações musicais e artísticas, visitas guiadas e outras iniciativas que deram ainda mais vida às ruas setubalenses.

Parabéns, Setúbal, cidade de Bocage, do Sado, da Arrábida – e, há dois anos, também a nossa cidade!

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Nazaré: a cidade das ondas gigantes em Portugal https://lugaresviagens.com.br/nazare-ondas-gigantes-em-portugal/ Tue, 22 Jul 2025 22:52:00 +0000 https://lugaresviagens.com.br/?p=7528 Na pacata vila de pescadores, o tempo parece ter parado. Desfrutar da atmosfera de antigamente nos dias atuais é uma experiência em particular. Nazaré não tem grandes marcos ou locais turísticos famosos, é bem verdade, mas é justamente a mistura de paisagens estonteantes, a praia, o mar e as tradições locais o que faz desta

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Na pacata vila de pescadores, o tempo parece ter parado. Desfrutar da atmosfera de antigamente nos dias atuais é uma experiência em particular. Nazaré não tem grandes marcos ou locais turísticos famosos, é bem verdade, mas é justamente a mistura de paisagens estonteantes, a praia, o mar e as tradições locais o que faz desta localidade no centro de Portugal um verdadeiro encanto. A raiz pesqueira agora dá lugar ao turismo – a aldeia é conhecida pelas ondas gigantes, entre as maiores do mundo – porém a herança histórica é motivo de orgulho. 

A cidade perdeu pouco de seu caráter. Entre as ruas de paralelepípedos, as casas dos pescadores, os casarões cobertos de azulejos, as roupas penduradas nos varais, por onde andam as senhorinhas com os trajes típicos – as mulheres de Nazaré, com suas sete saias e lenços coloridos, ou as viúvas, vestindo preto – vale a pena desfrutar o cenário.

No verão, Nazaré vibra e se movimenta – recebe visitantes de todas as partes do mundo e de todas as idades. No inverno, é destino preferido entre surfistas audaciosos em busca das ondas colossais. A cidade costeira faz jus a tudo o que acontece em Portugal, país com regiões maravilhosas, entre águas convidativas, séculos de memória, mirantes, neve, sol e céu azul o ano inteiro. Em Nazaré, lá do alto de um majestoso penhasco, a vista é de tirar o fôlego.

Natureza e história

Mais que a natureza, Nazaré, com seus aproximados 10 mil habitantes, também é motivo de interesse cultural, com sua rica herança e seus passeios atrativos. Entre os mais interessantes, a região do Sítio da Nazaré, no Mirante do Suberco, santuário, centro histórico, forte e farol, museus e praças onde estão lojinhas e restaurantes. No Sítio da Nazaré, a parte da cidade localizada em cima do rochedo, a primeira construção data de 1182 e o primeiro santuário de 1377.

Para quem está hospedado em Lisboa, em um bate-e-volta é possível conhecer os principais pontos da cidade e, para aproveitar com calma, vale ficar um pouco mais. Com mais tempo de viagem, uma boa ideia pode ser explorar as cidades próximas, como Óbidos e Batalha.

Com clima mediterrâneo, a região é de verões quentes e secos e invernos amenos e úmidos. Para quem prefere as praias, os meses de verão são ideais – entre junho e setembro, os termômetros marcam em média os 27º C e há menos chance de chuva. Esse é o período mais movimentado do ano, com muitos turistas e preços mais elevados.

Entre dezembro e fevereiro, os dias de inverno são mais frios e chuvosos, mas a diferença é que Nazaré fica ainda mais tranquila e os preços são mais baixos. Para os amantes do surfe, é a melhor época para ver as ondas gigantes que tornaram a vila tão famosa.

Praia de Nazaré

A mais central da cidade, a praia de Nazaré tem 1,5 quilômetros de extensão de areia, dourada e suave – vai do porto de Nazaré até o penhasco onde está o mirante. A água é fria – fica em no máximo 18ºC no verão, mesmo assim indicada para banho. Com correntes e ondas poderosas, de mar ora calmo, ora agitado, é possível realizar uma diversidade de atividades aquáticas, como stand up paddle, caiaques e jet-skis.

Praia do Sul

A praia que leva o nome da cidade, também chamada Praia da Vila, é a mais urbanizada, com boa infraestrutura de hotéis, pousadas, cafés e restaurantes – entre as opções do cardápio, mariscos e peixes frescos. Nos arredores existem ainda supermercados, pontos de táxi, lojas de comércio local, dentre outros serviços. Um calçadão envolve a orla em contorno de arco e os turistas contam com bons acessos ao areal, toldos e espreguiçadeiras para alugar.

Não muito visitada, já que a entrada precisa ser paga, a Praia do Sul fica ao Sul da Praia de Nazaré, dentro da área do porto. Bela enseada protegida do vento, é um destino preferido por pescadores e surfistas. O acesso é pelo Porto de Pesca. Praticamente deserta o ano todo, é uma dica para fugir das praias movimentadas da vila. Não tem apoio de alojamentos, restaurantes, vigilância, salva-vidas, mas tem beleza natural e tranquilidade de sobra.

Praia do Norte

Em uma generosa faixa de areia ladeada pela natureza, dunas e bosques de pinheiros, lugar popular para caminhadas e observação de aves, é na Praia do Norte que o mar oferece as famosas ondas gigantes de Nazaré – podem atingir até os 30 metros de altura. Em 29 de outubro de 2020, o alemão Sebastian Steudtner surfou a maior onda do mundo, com 26,21 metros de altura, nessa praia. Com águas gélidas e perigosas, a Praia do Norte é pouco procurada para banho e não se dá tanto para o turismo. Faz mais sucesso mesmo entre surfistas do mundo inteiro, que participam de diferentes competições ao longo do ano, locais e internacionais. A praia é ainda destino para adeptos de kitesurf e windsurf, também ideal para outras práticas náuticas, como a pesca esportiva. Assume outros nomes mais ao norte, como Praia da Areeira, Praia da Falca e Praia da Légua, porém tudo é parte de um único areal.

Ermida da Memória

Uma das construções que mais carregam a história de Nazaré, a origem da Ermida da Memória, junto ao Miradouro do Suberco, leva ao conhecimento de uma lenda local. Também chamada Capela da Memória, foi construída por D. Fuas Roupinho, alcaide para o qual Nossa Senhora de Nazaré se fez surgir. Contam que ele, que tinha como atividade caçar na região, certo dia, aos idos do ano 1182, perseguindo um veado (na versão popular uma materialização do próprio demônio) que fugia em direção ao penhasco, correu atrás dele montado em seu cavalo. Diante do perigo, já que a presa desaparecia pelo precipício a grande velocidade, D. Fuas rezou, pedindo ajuda à Virgem – ele estava ao lado da gruta onde se venerava uma pequena imagem de Nossa Senhora com o menino Jesus. E obteve a resposta – a santa paralisou o cavalo no limite do penhasco, salvando a vida do cavaleiro. 

Grato, D. Fuas mandou edificar no alto desse mesmo penhasco a emblemática Ermida da Memória, em memória do milagre, atualmente um dos locais mais visitados da vila. Diz a lenda, ainda, que a rocha, na beira do abismo, traz até hoje a marca da pisada firme do cavalo, ao parar diante do vazio. A capela fica bem na beira do mirante, com uma única e pequena janela com a vista da praia. A fachada e o interior são ornamentados com azulejos portugueses dos séculos 17 e 18, que fazem alusão ao relato – pode-se ver a imagem do cavaleiro perseguindo o veado e Nossa Senhora em seu socorro.

Ascensor de Nazaré

Tipo de trem que sobe diagonalmente pela encosta, o funicular chamado Ascensor de Nazaré faz a ligação entre a praia principal da vila e o alto do Sítio da Nazaré, onde fica o mirante do Suberco e o santuário. Mais do que um meio de transporte comum, o Ascensor de Nazaré, inaugurado em 28 de Julho de 1889, acabou se transformando, por si só, em um dos pontos turísticos da região. Percorrendo 318 metros, a viagem até o topo, 110 metros acima do nível do mar, dura 15 minutos. Para quem está na praia, é um bom passeio para chegar à parte alta da vila e também ao forte e à Praia do Norte.

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré

A história da construção do Santuário de Nossa Senhora de Nazaré leva ao século 14. Abrigada em uma grande praça, a majestosa igreja barroca de Nazaré guarda uma rara estátua da Virgem Maria, uma Madona Negra alimentando o menino Jesus – antiga e única imagem da santa. A estátua teria sido feita em Nazaré, em Israel e, trazida para a localidade portuguesa, originou o nome da cidade. Nossa Senhora de Nazaré é, dessa forma, a padroeira da vila. Bem no centrinho do Sítio da Nazaré, a igreja é um santuário de relevância para os portugueses. Coberta de detalhes feitos em ouro, a igreja se sobressai com a enorme fachada e o altar surpreendente. Por dentro, é decorada por belíssimos azulejos holandeses e portugueses do início do século 18. Lugar que atrai peregrinos, é palco de uma grande festa que dura 10 dias em comemoração à data em que supostamente teria ocorrido uma aparição da Santa, a partir de 8 de setembro.

Forte de São Miguel Arcanjo – Farol de Nazaré

A construção do Forte de São Miguel Arcanjo começou em 1577, no alto de um maciço rochoso. Lugar que testemunhou batalhas e fatos históricos, agora é mais procurado por quem quer avistar as ondas gigantes de Nazaré – está bem em frente ao canhão de Nazaré, de onde surgem as célebres ondas. A construção abriga uma exposição permanente com as pranchas de surfe deixadas por famosos surfistas que ali encararam as assustadoras formações aquáticas. Na porção superior, o farol é o cenário ideal para fotografar o mar ou curtir o pôr do Sol no Oceano Atlântico. Ali, desde 1903, o pequeno e fotogênico farol alaranjado abre a visão para a costa rochosa.

Onde comer

Na parte baixa de Nazaré, a praia Central conta com diversas opções de cafés, bares e restaurantes ao longo da orla. A praça Souza Oliveira é um lugar agradável para sentar e curtir a gastronomia que a cidade marítima e de tradição pesqueira oferece, em destaque para os frutos do mar, que estão entre os principais preparos. Mistura de variados tipos de peixes, a caldeirada é um prato tradicional da vila.

Na principal praça da cidade, o restaurante Marisqueira O Casalinho tem como carro-chefe mariscos e peixes grelhados. Entre os principais pratos, estão o arroz de marisco com lagosta, que serve duas pessoas, e o polvo à lagareiro. Também há variedade de carnes, como o bitoque de porco, e omeletes.  Mais que o cardápio, o cliente também pode desfrutar de uma vista linda para a praia, enquanto experimenta os vinhos da casa.

Bem tradicional e com atmosfera rústica, em uma simpática e estreita ruazinha, a Taberna da Adélia é ornamentada com elementos que lembram o oceano. Bem no centro de Nazaré, o restaurante é recomendado pelo Guia Michelin em 2023. Situado em lugar privilegiado, o estabelecimento tem variedade no cardápio, entre opções que destacam mariscos e peixes frescos, além de deliciosos grelhados e pratos tradicionais portugueses. Como prato principal, uma boa pedida é o robalo grelhado.

Apontando para a Praia de Nazaré, aberta para a visão magnífica do mar, A Celeste é um ambiente acolhedor e intimista distribuído em três espaços e uma esplanada, onde são servidos frutos do mar locais fresquinhos. Entre as estrelas do menu, estão o robalo grelhado, as ameijoas à bulhão pato e a caldeirada à pescador. O creme de marisco também é uma ótima opção.

Onde se hospedar

Na avenida principal de Nazaré, na esquina da praia, está o Hotel Mar Bravo com sua linda visão para o mar. Está próximo ao bondinho que faz o caminho entre o centrinho histórico e o alto da falésia que abriga o Forte São Miguel Arcanjo e o Farol de Nazaré. A decoração contemporânea tem cores que fazem alusão ao oceano. No restaurante especializado em frutos do mar, o hóspede tem à disposição uma rica seleção de peixes, mariscos e carnes. Há também um terraço coberto para refeições ao ar livre.  As diárias partem de cerca de R$ 468.

Com classificação quatro-estrelas, o Hotel Miramar Sul conta com piscina externa e interna, e todos os quartos e suítes têm TV de tela plana e varanda privativa. O Atlântico View Restaurant oferta café da manhã, almoço e jantar, acompanhados pela paisagem para as águas. Entre as comodidades, também há recreação infantil grátis e traslado ida e volta do aeroporto, disponível 24 horas. O visitante pode curtir um convidativo banho de sol em uma espreguiçadeira ao lado da piscina de borda infinita, enquanto se delicia com uma bebida no bar.  O preço médio das diárias é de cerca de R$ 369.

No caminho entre o centrinho histórico e uma trilha que leva à Praia do Norte, a Zulla Nazaré’s Surf Village tem piscina ao ar livre, bar, jardim, lounge compartilhado e terraço. A pousada também pode funcionar como hostel com quartos compartilhados, incluindo acomodações exclusivas para mulheres. Local que chama ao relaxamento e para aproveitar o cair do dia com uma bebida no terrace bar. Há ainda oferta de pacotes de surfe, como o Pack Surfer, opção disponível de abril a outubro que inclui alojamento de sete noites em quarto compartilhado e dez aulas de surfe com professores certificados, com todo o equipamento e seguro. As diárias ficam em torno de R$ 297.

Para quem está com o orçamento mais apertado, outras duas opções, igualmente bem localizadas, com vista para o mar e confortáveis, são o Hotel Oceano e o Hotel Ribamar.

A melhor área para se hospedar é a parte baixa da cidade. A praia central oferece uma ótima infraestrutura com variadas opções, calçadão e também cafés e restaurantes. Verdade é que Nazaré tem uma farta lista de acomodações, das mais requintadas até hostels bem descolados – afinal, se trata de uma cidade que não só recebe muitos turistas, como também a galera do surfe.

Como chegar

O aeroporto mais próximo de Nazaré é o aeroporto de Lisboa. As duas cidades estão distantes cerca de 120 quilômetros. Partindo da capital portuguesa, a Rede Expresso conta com ônibus com saídas diárias e em horários variados, a partir da Estação Sete Rios. A viagem leva cerca de 1h50 e custa 10 euros.

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Batalha: cidade símbolo da vitória dos portugueses sobre os espanhóis  https://lugaresviagens.com.br/batalha-mosteiro-portugal/ Thu, 10 Apr 2025 22:17:00 +0000 https://lugaresviagens.com.br/?p=7523 Os encantos de uma paisagem singular, a identidade cultural e histórica, a beleza monumental e do patrimônio, a gente que cativa. Estar em Batalha é descobrir capítulos de memória, saber o que contam a arte, a arquitetura e a natureza. Em uma conversa entre mar e serra, entre planaltos verdejantes, campos de cultivo e formações

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Os encantos de uma paisagem singular, a identidade cultural e histórica, a beleza monumental e do patrimônio, a gente que cativa. Estar em Batalha é descobrir capítulos de memória, saber o que contam a arte, a arquitetura e a natureza. Em uma conversa entre mar e serra, entre planaltos verdejantes, campos de cultivo e formações calcárias únicas que caracterizam a região, há muito o que explorar. Edificações civis e religiosas de diferentes épocas, costumes e tradições fazem da cidade, distante cerca de 100 quilômetros de Lisboa, uma referência no país, e por isso mesmo é procurada por mais de meio milhão de turistas todos os anos.

Palco de momentos históricos relevantes, o início da ocupação leva ao período paleolítico. Depois a história conta sobre a presença romana em Colippo (considerada uma das mais importantes cidades luso-romanas da costa oeste da Península Hispânica), até as lutas decisivas pela independência. Foi a vitória na Batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385, que resultou na construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, obra prima do gótico português mais conhecida como Mosteiro da Batalha, um polo de atração que deu origem à Vila da Batalha. Batalha foi desta maneira fundada em 1.500 pelo rei D. João I, consolidado com o título após o embate, na região do mosteiro feito para agradecer pela vitória na Batalha de Aljubarrota. O acontecimento que dá nome à cidade também é uma das  maiores batalhas da Idade Média e está entre os fatos mais emblemáticos da história de Portugal.

A cidade está na Região Centro Litoral de Portugal e pertence ao Distrito de Leiria. Faz fronteira com os municípios de Leiria, Porto de Mós, Ourém e Alcanena e fica próximo de Fátima. Daí também é fácil partir para as mais cobiçadas praias do país, como Nazaré, Vieira, Pedrogão, São Martinho do Porto ou Peniche, que estão a cerca de uma hora da sede do concelho. Por perto, estão ainda lugares dignos de serem vistos, como as serras D’Aire e Candeeiros e S. Mamede, que fazem a região destino perfeito para atividades como bikes, escalada e caminhadas.

Durante o ano, Batalha recebe uma vasta programação de eventos, como feiras de artesanato e gastronomia, mostras de produtos locais, reconstituições históricas, festivais de teatro e de folclore, concertos e festas, entre outras variadas atrações que se unem às tradições religiosas e pagãs. A cidade abre as portas para quem quer desfrutar uma atmosfera única e dinâmica.

Mosteiro da Batalha

Patrimônio da Humanidade pela Unesco, título alcançado em 1983, e desde 2007 uma das 7 maravilhas de Portugal, o Mosteiro da Batalha, ou Mosteiro de Santa Maria da Vitória, está entre as mais importantes atrações da cidade e monumentos portugueses. Símbolo da vitória dos portugueses sobre os espanhóis, no século 14, foi edificado ao longo de quase 200 anos e também é considerado Panteão Nacional. O mosteiro é justamente uma referência à elevação de Dom João I ao trono português, após a derrota definitiva dos castelhanos (os “espanhóis” da época, de Castela) na Batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385. O rei determinou a construção do mosteiro como agradecimento à Virgem Maria pela vitória, que é celebrada em festa sempre ao mês de agosto de cada ano. A obra começou em 1387 e seguiu até a inauguração em 1517, embora a construção tenha sido finalizada oficialmente em 1563.

Ao lado do significado histórico, a arquitetura enaltece o estilo alto gótico e faz a edificação uma das mais trabalhadas e bem acabadas de Portugal, e porque não dizer do mundo. Arcos com entalhes e detalhes são o prenúncio do que viriam ser em seguida os traços do barroco e do rococó, com uma configuração espacial concebida para promover uma iluminação interna e externa única.

Aí estão as sepulturas de D. João I, Mestre de Avis (filho ilegítimo do rei D. Pedro I com Teresa Lourenço), D. Filipa de Lencastre (esposa de D. João I), o infante D. Henrique, o infante D. João, D. Isabel, D. Duarte  (filhos de D. João I e D. Filipa), D. Fernando (pai de D. João I) , D. Afonso V (filho do rei Duarte I) e D. João II (filho de Afonso V).

Os ingressos custam 6 euros, e há descontos para idosos acima dos 65 anos, jovens e famílias numerosas, por exemplo. Crianças até 12 anos não pagam para entrar, e o acesso também é de graça aos domingos e feriados até às 14h para todos os cidadãos que residem em Portugal, com comprovação.

Claustro Real

O mosteiro tem algumas divisões em áreas de interesse. Entre elas o jardim fechado chamado Claustro Real, com uma beleza em particular nos dias ensolarados, quando o verde aninhado entre arcos góticos brancos e brilhantes, em riqueza de detalhes, se sobressai. A decoração no estilo se combina em alguns pontos incrivelmente com as características manuelinas. Ainda que a história conte mais de 600 anos da construção, esculturas e pináculos permanecem impecavelmente conservados. Edificado entre 1448 e1477, é também chamado de Claustro de D. João I.

Capelas Inacabadas

Na parte de trás do mosteiro estão as Capelas Imperfeitas. A peculiaridade de nunca terem sido terminadas de fato também lhe dão o nome de Capelas Inacabadas. Entre o estranho e o belo, são as imperfeições que dão ao Mosteiro da Batalha uma aura de mistério, característica dissonante se considerado o contexto da filosofia reta e inflexível do catolicismo da Alta Idade Média. A construção é um pedido do rei Eduardo de Portugal para ser um segundo mausoléu real, encomenda de 1437. Ele e a rainha Eleanor de Aragão são os únicos enterrados aí.

Capela do Fundador

Construída entre 1426 e 1434, a Capela do Fundador é tida como um dos mais importantes edifícios adjacentes ao mosteiro. Existem três túmulos que são cópias das tumbas originais de D. Afonso V, João II, e seu filho e herdeiro, Príncipe Afonso. D. João I, o Rei Vitorioso, está aí sepultado até hoje, assim como sua esposa e filhos. Uma atmosfera mística e de espiritualidade se forma pela iluminação que chega dos vitrais. Com planta quadrada, a capela se distribui em três vãos fictícios e um octógono central sustentado por oito pilares.

Centro histórico

No centro histórico, toda a identidade de Batalha. São marcos da história da cidade, como igrejas, museus e espaços verdes que podem fazer a diversão dos pequenos. A Igreja Matriz da Exaltação de Santa Cruz, também chamada Igreja Matriz da Batalha, é um desses lugares que estão no burburinho da cidade. Como o mosteiro não dispunha de um serviço paroquial para atender os moradores, foi determinada a construção, que aconteceu entre 1514 e 1532. A edificação tem nave única coberta de madeira, com uma capela-mor quadrangular com abóbada estrelada. Na fachada, o pórtico de 1502 impressiona e é apreciado pelos visitantes. Ao decorrer do tempo, a igreja passou por revitalizações e hoje destaca as decorações barrocas do século 18. No século 20, o campanário deu lugar a uma torre sineira, e um retábulo de pedra foi adicionado ao interior da capela-mor.

Com canteiros relvados e floridos, o Jardim do Lena é um agradável espaço verde, ideal para caminhadas ou para desfrutar bons momentos com a família. Além da natureza como cenário, dispõe de parque para as crianças e fonte de água potável. Perto do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, convida para se sentar e apreciar toda a beleza do lugar. No amplo e aprazível Jardim da Cerca, os caminhos levam a canteiros floridos, bebedouros, vegetação diversificada, um lago com animais e um espaço para piqueniques, no ambiente que tem como um dos destaques o piso em calçada portuguesa.

A inauguração do Jardim dos Infantes, outro destino importante no centro histórico de Batalha, fez parte de um projeto de valorização ambiental do Rio Lena, que banha a cidade. Jardim infantil, área para esportes radicais, pistas de minigolfe, ciclovia e outros equipamentos formam o Parque dos Infantes, que evoca os infantes (nesse caso filho de reis, porém não herdeiros do trono) da Dinastia de Aviz, através de oito painéis com uma breve resenha histórica, ao lado de poemas do livro “Mensagem”, de Fernando Pessoa. Aí, se unem a cultura e a vertente recreativa para enriquecer o espaço de lazer que se desenvolve ao longo da margem nascente do Rio Lena, no centro da Batalha. 

Ainda no centro histórico, o Museu da Comunidade Concelhia da Batalha reúne a história da evolução da cidade ao longo dos últimos 250 milhões de anos. São exposições dinâmicas e interativas que perpassam as origens geológicas, paleontológicas e arqueológicas de Batalha, estendendo as temáticas por diferentes acontecimentos, entre os marcos mais importantes em termos históricos e artísticos, até características socioculturais que hoje identificam a cidade. De caráter pedagógico, o acervo destaca a Batalha de Aljubarrota e a construção do Mosteiro da Batalha. O museu é premiado nacional e internacionalmente.

Pia do Urso

Aninhada na bonita Serra de Aire e Candeeiros, lugar onde se encontra paz de espírito, a Pia do Urso é um recanto especial de Portugal, um pequeno pedaço de cheiros, texturas, paisagens e estímulos para experimentar, tocar, sentir.  Perto de Batalha e a 15 minutos de carro do Santuário de Fátima, a aldeia abriga casas típicas e o clima interiorano do país. Um passeio, no mínimo, interessante, relaxante e tranquilo, perfeito para toda a família e uma boa ideia de diversão para as crianças. Aí ficam um restaurante com pratos regionais, um café e banheiros públicos. 

O visitante pode caminhar por um percurso sensorial, distribuído em estações com informações em braille e outros recursos táteis, olfativos e sonoros, como jogos, brinquedos e instrumentos musicais, que fazem a festa da garotada – a rota sensorial fica dentro do chamado Ecoparque Sensorial da Pia do Urso.

Esse é um espaço rural remodelado para o turismo. É indicado que o acesso seja feito de carro. Há um estacionamento na entrada do percurso da aldeia e um mapa mostra como ela está dividida e como é o passeio. Com casas charmosas, feitas de pedras antigas e madeira, características das aldeias serranas, um destino curioso, misto de fábula e magia.

O caminho permite conhecer a flora, a fauna e as diversas formações geológicas chamadas pias, onde a história conta que os ursos vinham beber água – a partir daí justamente a origem da toponímia: Pia do Urso. A pia em questão, devidamente assinalada no local, tem um declive natural que facilitaria aos ursos e outros animais a ingestão do líquido em uma área ricamente arborizada.

No tempo dos romanos, o lugar de Pia do Urso era utilizado como ponto de passagem. Na Idade Média, mais precisamente em 1385, por aí passavam as tropas comandadas por D. Nuno Álvares Pereira, na caminhada entre Ourém a Porto de Mós, com destino a Aljubarrota, onde ocorreu uma das batalhas mais decisivas para a afirmação da independência de Portugal. Também serviu como passagem dos militares das invasões francesas. Os mais idosos dizem que a permanência dos exércitos franceses no lugar se deveu à existência da oliveira servida de esconderijo de armas, munições e pólvora – uma lenda conta que a oliveira era diferente das demais, com a rama preta e sem nunca ter produzido azeitona.

O único problema de estar na Pia do Urso é controlar o desejo de trocar a cidade por esse pedaço de céu.

Ecoparque Sensorial da Pia do Urso

O Ecoparque Sensorial da Pia do Urso é parada obrigatória. É onde fica a rota sensorial, conceito inovador que quer dar aos deficientes visuais, em especial, a chance de apreender o meio ao redor a partir de outros sentidos, particularmente o tato e o olfato – todas as informações estão disponíveis em braile. O caminho reúne estação de educação ambiental, uma do período jurássico, uma sobre a Batalha de Aljubarrota, um miradouro, uma estação lúdica e outra musical, com jogos e, claro, a Pia do Urso. O lugar certo para sentir e desfrutar a natureza, onde sons, aromas e formas, e as alegorias históricas, se misturam com o verde exuberante da vegetação. Árvores de carvalho esplêndidas oferecem sombras refrescantes para descansar e refletir. Entre piqueniques e caminhadas, é hora de descobrir algumas memórias da região. A entrada é gratuita.

Centro de BTT Pia do Urso

A beleza da região também pode ser apreciada em passeios de bicicleta. Na Pia do Urso, o Centro de BTT da Batalha tem trilhas sinalizadas, com 365 quilômetros, divididos em quatro níveis de dificuldade que percorrem os Concelhos da Batalha, Porto de Mós e Leiria. Imerso na natureza da Batalha, o centro é o primeiro a ser reconhecido pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Um ponto de partida para quem gosta de aventura. São oito percursos disponíveis: um fácil, um moderado, três difíceis e dois muito difíceis. A opção depende do esforço e do tempo que o praticante deseja dispender para a atividade. A menor rota tem 12,5 quilômetros e leva entre uma a duas horas para ser percorrida. A maior leva entre seis ou sete horas para completar 92,5 quilômetros. O centro tem banheiros e uma zona de lavagem e pequenos reparos para as bikes.

Rota dos Moinhos

É hora de descer da magrela e descobrir os moinhos, uma das maiores joias da região. Entre 6 e 9,5 quilômetros de extensão, são quatro percursos marcados – depende da disposição. Um dos preferidos entre quem chega à Pia do Urso, o Percurso Pedestre Rota dos Moinhos tem início junto ao Hostel Pia do Urso, perto da entrada norte do ecoparque sensorial – são 6,7 quilômetros, passando por vários moinhos, alguns ainda em funcionamento. O Moinho do Zé Cuco foi reconstruído recentemente; o Moinho do Manuel Moleiro e o do Mocho têm vista privilegiada para a Capela de São Mamede, e a partir daí o passeio segue pelo caminho dos romeiros do século 16. Do conjunto dos dez moinhos existentes em outros tempos, hoje dois são visíveis, em um trajeto que dura aproximadamente três horas. Já o Percurso Pedestre Rota dos Moinhos começa pela Escola Básica dos Crespos, próximo da entrada Norte do ecoparque. Um lugar de contato próximo com a natureza, onde podem ser observadas inúmeras espécies animais e vegetais. A rota também é marcada pela existência de vários moinhos, alguns deles ainda em funcionamento.

Grutas da Moeda

Para conhecer as Grutas da Moeda, formações calcárias em São Mamede, é preciso descer 45 metros. Não podem faltar no roteiro por Batalha e região. É um dos pontos altos da viagem. Narra a lenda que um ladrão roubou um homem abastado e caiu no algar, levando consigo uma bolsa cheia de moedas – daí o nome. São 350 metros de extensão visitável, que guardam algumas das mais belas paisagens geológicas da região. A visita inclui um filme explicativo sobre a formação da gruta, além do Centro de Interpretação Científico-Ambiental, um espaço interativo onde pequenos e grandinhos podem descobrir fósseis, minerais e outras curiosidades sobre a origem das formações, como interagem com a biodiversidade local, entendendo a importância do calcário para a região e como ele influencia o modo de vida das pessoas. O turista pode ainda conhecer uma loja que dispõe de variedade de minerais e fósseis de diferentes países.

Centro Interpretativo da Batalha de Aljubarrota (CIBA)

Com o foco em realizar estudo de campo, preservar e exibir informações sobre a Batalha de Aljubarrota, assim como divulgar dados históricos sobre o século 14, o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota é um museu aberto em 2008. Está em São Jorge, a pouco mais de 3,5 quilômetros do Mosteiro da Batalha. Em quase 2 mil m² de área, ressalta a exposição dedicada à batalha, e também reúne um auditório que exibe filme que reconstitui o confronto, além de programas educativos e um espaço de exposições temporárias.

‌ONDE COMER

É fato que passear abre o apetite. Em Batalha, come-se e bebe-se muito e bem. Entre receitas repletas de sabor e que contam histórias de gerações, com destaque para carnes e bacalhau, a gastronomia local tem entre os pratos tradicionais o tachadéu (fritada de porco em tacho de barro), a morcela de arroz e a tibornada (bacalhau com batatas ao murro). Quando o assunto são os doces, brilham entre as estrelas as cavacas do reguengo do fetal, os bolos de ferradura, os bolos de palma e bolo de perna, e o pudim da Batalha.

A morcela de arroz, também chamada branca, é feita com arroz e carne e, diferente de outros pratos feitos na região, o sangue não entra no preparo. Pode ser cozida ou assada e marca presença na maioria dos restaurantes, principalmente em composições de sopas. Também é encontrada para venda – quem aprecia pode dividir o sabor com o resto da família.

Receita antiga de Batalha, o doce cavacas do reguengo do fetal faz lembrar nuvens, por ser bem leve e com cobertura branca de açúcar. A receita está associada às Festas de Nossa Senhora dos Remédios, porque as delícias eram leiloadas após as procissões, eventos noturnos iluminados por velas feitas com cascas de caracóis, o que dá às festividades o outro nome de Festa dos Caracóis. Dessa forma, a especialidade só se encontra durante as festas religiosas em nome da Senhora do Fetal, em Reguengo do Fetal, que acontecem todos os anos, entre setembro e outubro. Conta a história que as cavacas de reguengo do fetal integravam as fogaças, grandes tabuleiros de madeira, forrados com toalhas de renda onde se transportavam vários produtos regionais.

Com vista para o Mosteiro da Batalha, o Restaurante Burro Velho dispõe de um espaço acolhedor, confortável, e de bom gosto. O cenário ideal para apreciar o melhor da gastronomia portuguesa tradicional aliada à inovação e criatividade dos chef’s, na companhia dos melhores vinhos nacionais e internacionais. De segunda a sábado, além das opções fixas, dispõe de um tentador e variado menu, perfeito para momentos mais descontraídos, para petiscar ou degustar uma refeição completa. Com uma grande oferta de carnes, pescados frescos e mariscos, pães e bebidas variadas, sobremesas caseiras e autênticas, os pratos são confeccionados com criatividade e todos os ingredientes são criteriosamente selecionados para garantir a alta qualidade. Corre nas veias desse restaurante o espírito tradicional e, desde a beleza das redondezas e o interior das salas, o bom ambiente é característico do estabelecimento.

Para quem quer visitar a Itália sem sair de Portugal, a Sapori Pizzeria Italiani tem tudo o que deseja. O ambiente único, com o lindo espaço externo, torna ainda melhores as especialidades oferecidas. Entre as opções de refeições saborosas e criativas, também há espaço para iguarias vegetarianas. Tem sempre algo para todos os gostos. O cardápio de almoço é perfeito para uma pausa com amigos ou uma reunião com clientes ou parceiros de negócios importantes, e o jantar pode ser um momento ainda mais apetitoso. Entre a seleção de pratos da cozinha tradicional italiana, com massas e pizzas, o bar da salada também convence os convidados. Em destaque ainda o chá aromático e as bebidas frias sem álcool frias, as sobremesas divinais e os gelatos refrescantes.

Espaço agradável e descontraído, na Hamburgueria Enigma a estrela é o hambúrguer artesanal, acompanhado de batata frita ou batata-doce. Há também hambúrgueres vegetarianos e de carne branca. A casa preza pela qualidade dos produtos, sempre frescos. O cardápio tem ainda os pregos, como se chamam em Portugal o sanduíche de pão recheado geralmente com variações de carne, queijo e ovo, além de entradas, bifes, saladas e sobremesas. O ambiente também conta com um bar lounge e pode ser aproveitado, depois da refeição, na companhia de coquetéis, cervejas artesanais e vinhos de referência.

ONDE FICAR

A vila tem poucas opções de hotéis. Mas as acomodações servem bem. Há possibilidade de vista para o mosteiro e hotéis 4 estrelas. Os valores de hospedagem ficam entre 45 a 76 euros para duas pessoas, com café da manhã incluído, em média.

Na categoria 4 estrelas, está o confortável Hotel Villa da Batalha. Às margens do Rio Lena, fica a 25 minutos de carro do Santuário de Fátima e a 40 minutos de carro das Praias de Nazaré e São Pedro de Moel. O Restaurante Adega dos Frades serve saborosas preparações da cozinha típica de Portugal, além de pratos vegetarianos, e é uma boa pedida para o proveito dos hóspedes. As diárias começam entre pouco mais de R$ 400 e podem passar de R$ 500.

Na classificação 3 estrelas, o despretensioso Casa do Outeiro – Arts & Crafts Boutique Hotel fica em um bairro arborizado, a quatro minutos de caminhada do Mosteiro da Batalha e a oito quilômetros do antigo Castelo de Porto de Mós. Lugar tranquilo, ideal para famílias, tem quartos com wi-fi grátis, TV de tela plana, frigobar, chaleiras e cafeteiras. Os quartos de categoria superior incluem sacada e alguns têm vista para o mosteiro. O hotel dispõe ainda de sala de TV com lareira e um bar self-service, além de sala de jogos, sala de leitura, piscina sazonal, solário, parquinho para crianças, estacionamento, bicicletário e café da manhã. As diárias partem de cerca de R$ 400.

Para quem pretende gastar menos, o Hotel São Jorge, a um quilômetro do centro de Batalha, é uma dica. A acomodação 2 estrelas está em uma estrada importante, a sete quilômetros do Parque Natural de Aire e Candeeiros, e a três quilômetros do Mosteiro da Batalha. Os quartos contam com banheiro privativo, ar condicionado e TV a cabo. Os bangalôs com um quarto dispõem de sala de estar e de TV por satélite. Outras comodidades incluem piscina exterior com espreguiçadeiras, campos de tênis e estacionamento grátis. As diárias partem de cerca de R$ 340.

Outra sugestão é ficar nas cidades de Leiria, Fátima ou Nazaré, que têm mais opções de hotéis e restaurantes, e ficam perto de Batalha.

COMO CHEGAR

Partindo de Lisboa, para a viagem de carro basta seguir as placas para Fátima, nas autoestradas da região. A partir de Fátima, são aproximadamente 30 minutos até Batalha. De ônibus, nas linhas diretas a partir da capital portuguesa até Batalha, a viagem é de cerca de duas horas – são cinco horários de partida todos os dias. De trem, a estação mais próxima fica na cidade de Leiria, a menos de 15 quilômetros ao norte de Batalha. A sugestão é ir até Leiria e de lá pegar um táxi ou Uber. Se a ideia é participar de excursões, são várias as opções de tours a partir de Lisboa e outras cidades. O Mosteiro da Batalha é roteiro obrigatório oferecido e recomendado por qualquer hotel ou agência de turismo. Uma vez na cidade, a ideia é mesmo caminhar. O centro histórico é relativamente pequeno e agradável para andar a pé. Apenas uma das atrações fica longe do centro.

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Évora: muita história na capital do Alentejo https://lugaresviagens.com.br/evora-capital-do-alentejo/ Tue, 21 Jan 2025 21:30:00 +0000 https://lugaresviagens.com.br/?p=7520 mermaid414 nude beaches Labirintos de ruas e becos estreitos, a cada esquina testemunhos da história. Templos romanos, praças e edifícios mouros, igrejas em estilo gótico-manuelino, capela feita com ossos, ruínas, museus. Por toda parte, os icônicos azulejos portugueses, grandes conjuntos de casas caiadas, vinícolas majestosas. Évora, uma das joias do Alentejo, em Portugal, se esparrama

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Labirintos de ruas e becos estreitos, a cada esquina testemunhos da história. Templos romanos, praças e edifícios mouros, igrejas em estilo gótico-manuelino, capela feita com ossos, ruínas, museus. Por toda parte, os icônicos azulejos portugueses, grandes conjuntos de casas caiadas, vinícolas majestosas. Évora, uma das joias do Alentejo, em Portugal, se esparrama dentro e fora das muralhas.

Tudo aí é uma mistura de culturas, já que Évora foi conquistada por diferentes povos seguidamente até ser retomada pelos portugueses. O primeiro registro de habitação humana leva aos celtas, depois os romanos chegaram e construíram a famosa muralha que circunda a cidade, antes de ser conquistada pelos mouros. Houve um tempo de dominação muçulmana e, finalmente, de volta ao comando dos portugueses.

Uma história que chega a vestígios pré-históricos, de mais de cinco milênios, como comprovam monumentos megalíticos perto da cidade. Os indícios arqueológicos mais antigos são entre os séculos 2 e 5 antes de Cristo – ainda imponentes no Centro da cidade, as ruínas do templo romano lembram o século 1. 

A fundação remonta ao ano de 1166 – a criação oficial é a data da reconquista cristã, quando Évora foi tomada aos Mouros. A época de ouro leva ao século 16, nesse tempo morada dos reis de Portugal. Em 1986, recebeu o título de patrimônio mundial pela Unesco.

Passear por Évora é sentir o passado e vivenciar todo o encanto de um lugar com muita coisa para contar. Ainda que tenha vivido o domínio estrangeiro, a região nunca perdeu a identidade lusitana. Riqueza que faz de cada parte da cidade única e cheia de preciosidades para os mais curiosos.

Templo Romano

Erguido provavelmente no século 1 em reverência ao imperador Augusto, o Templo Romano está na lista dos mais importantes monumentos romanos em terras portuguesas – é herança da época de domínio de Roma no país, com as clássicas e inconfundíveis colunas, avistadas de longe. Também chamada Fórum, da construção original, de quase 2 mil anos, permanecem o pódio e as colunas. Entre a catedral e a praça Jardim Diana, está no ponto mais alto da cidade. Aí perto também fica a Biblioteca Pública de Évora, palco de exposições artísticas e acontecimentos culturais.

As ruínas do templo foram remodeladas com o passar dos anos. No decorrer da era medieval, a base e as colunas viraram parte das paredes de um prédio e o espaço foi usado como um açougue do século 14 até 1836. Isso acabou preservando as características remanescentes da época romana. Em 1871, as adições medievais foram removidas e o templo começou a ser reconhecido como um marco histórico e ponto turístico, um dos mais antigos de Évora.

Praça do Giraldo

Em Évora, todos os caminhos levam à Praça do Giraldo. No coração da cidade e um dos ícones da região, foi construída entre 1571 e 1573 lembrando o nome de Geraldo Geraldes, o “Sem Pavor” – a denominação foi estabelecida pelo personagem lendário da história de Portugal, à época das lutas da Reconquista, ter cedido seus préstimos para combater e ajudar a retirar os mouros do território português. 

Em lugar de destaque, a fonte barroca em mármore com oito bicas simboliza as oito ruas centrais que desembocam na praça. Aí também está a Igreja de Santo Antão, além de estabelecimentos comerciais, cafés, bares e restaurantes, que formam o belo conjunto arquitetônico dos prédios ao redor – a praça é endereço de alguns dos edifícios e monumentos mais importantes da província. O fervilhar de gente chama ao encontro no almoço ou para o happy hour.

Convento dos Loios

O Convento dos Loios foi construído onde antes existia um castelo medieval, edificado em uma mescla dos estilos mudéjar, gótico e manuelino, testemunho arquitetônico de épocas diferentes. A primeira pedra da edificação foi lançada em 1487, por iniciativa do primeiro conde de Olivença, D. Rodrigo de Melo, guarda-mor do rei D. Afonso V, e também Governador de Tânger, que dois anos antes iniciara a construção da igreja anexa (da invocação de São João Evangelista), destinada a panteão de família.

No piso térreo, a entrada da antiga Sala do Capítulo, já quinhentista, rasgada por um exuberante portal com arcos em ferradura, perfeito exemplar da arquitetura regional manuelino-mudéjar, salta aos olhos. Nessa mesma porta, está um medalhão evocando a participação de D. Rodrigo na Batalha de Azamor, em 1508, data aproximada das obras que compõem essa sala. O convento foi bastante danificado com o terremoto de 1755, e agora abriga a Pousada dos Loios. É classificado como Monumento Nacional desde 1922.

Museu de Évora

Vários museus contam a história de Évora e do Alentejo, na cidade que também é chamada cidade-museu. Para quem gosta, a lista dos centros de cultura é convidativa. Dentro dela, destaque para o Museu de Évora. Com mais de 100 anos de fundação, o interior do prédio, por si só, merece a visita. Uma coleção de arqueologia está entre a exposição permanente, à qual se unem mostras temporárias sobre vários temas, em um panorama da arte lusitana ao longo do tempo. Em lugar de protagonista, o conjunto de 13 painéis que retratam a Vida da Virgem, e seis painéis menores com a Paixão de Cristo, pintados em meados do século 15. Aberto de terça a domingo, esse é o principal museu de Évora, tido como um verdadeiro tesouro histórico.

Sé

Maior catedral medieval de Portugal, a Sé de Évora, também conhecida por Catedral de Évora e Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção, teve sua construção iniciada em 1184 e ficou pronta em 1250, sendo que a inauguração aconteceu antes da conclusão da obra, em 1204. Com cada povo que dominou a cidade murada, a catedral passou por mudanças ao longo do tempo, e assim retrata estilos e épocas históricas diferentes. 

Com traços góticos e românicos, toda feita em granito, é cheia de detalhes, com destaque para as estátuas dos apóstolos. Do alto do telhado, no terraço que é o ponto mais alto de Évora, um lugar privilegiado para avistar a cidade. Em 1988, a catedral foi declarada patrimônio pela Unesco. Localizado em dois pisos da casa contígua, na catedral da Sé, o Museu da Arte Sacra da Catedral de Évora expõe uma das mais importantes coleções de arte sacra de Portugal.

Rua 5 de Outubro

Passagem obrigatória para quem chega a Évora, a Rua 5 de Outubro tem de tudo um pouco. Estar na via de traçado irregular é ter contato com o artesanato, lembranças e produtos locais. Além das peças que simbolizam o Alentejo, a rua guarda tesouros arquitetônicos. Com um burburinho cheio das cores de suas paisagens e transeuntes, é o lugar certo para quem adora fazer comprinhas durante o passeio.

Paço de São Miguel

Um dos edifícios mais emblemáticos de Évora, envolto pela aura própria do que a história cria com o passar dos séculos, o Paço de São Miguel é palco de memórias. Lugar da realeza durante a Idade Média, foi morada para os reis de Portugal da primeira dinastia, e também serviu de base militar ao Condestável D. Nuno Álvares, fronteiro-mor do Alentejo. Convertido em sede da Capitania-mor de Évora no século 15, tornou-se residência dos poderosos Condes de Basto, que solicitaram o fantástico conjunto de afrescos que reveste os tetos dos salões nobres, exemplares raros de pintura que mistura o profano e o mitológico, características do período.

Com o decorrer dos anos, o Paço de São Miguel viveu uma época de sombras, e em meados do século 20 encontrou um avançado estado de degradação. Em 1957, o filantropo e mecenas Vasco Maria Eugênio de Almeida determina a revitalização do lugar e o complexo de edifícios que completavam o conjunto. Aí fixou residência e estabeleceu sede da Fundação Eugénio de Almeida, que criou em 1963. Classificada como Monumento Nacional, a construção mistura traços italianos, renascentistas, inspirações muçulmanas e vestígios de estruturas góticas.

Palácio dos Duques de Cadaval

Pertencente à família dos duques de Cadaval que vem passando por gerações até os dias atuais, o Palácio Cadaval, em frente ao Jardim Diana, ao lado da igreja São João Evangelista (propriedade do palácio) e às ruínas romanas, foi erguido no século 14. Espaço pequeno, é morada da Duquesa de Cadaval e seus parentes, mas a igreja e parte das salas são abertas à visitação do público. A capela acoplada ao palácio ressalta os azulejos típicos de Portugal. Aí está também um ambiente museológico onde ficam expostas pinturas antigas, móveis, antigos manuscritos, uma coleção de códices iluminados, armaria e esculturas. A visita inclui a igreja dos Loios, também posse da família.

Igreja de São Francisco – Capela dos Ossos

Não é uma metáfora. A Capela dos Ossos é, de fato, uma capela ornamentada com ossos humanos. Por curiosidade ou para abrir a cabeça e enxergar a morte e a vida por outra perspectiva, a visita é obrigatória, ainda que seja um lugar tão inusitado. Uma das atrações que mais chamam a atenção em Évora. A história que circunda a capela há que ser conhecida. A construção é do século 17, por iniciativa de um frade que queria lembrar seus companheiros de que a vida é finita, transitória. Logo na entrada, a frase Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos demonstra a intenção.
As estimadas 5 mil caveiras humanas, que estavam enterradas em cemitérios da cidade, passaram a decorar a capela, como idealizaram os monges franciscanos, já que os cemitérios ocupavam muito espaço. Há algo diferente em ver ossos, crânios humanos e esqueletos que forram todo o interior, mas a perspectiva sobre a fragilidade da vida humana é o que importa. A luz que adentra o ambiente, direcionada para os esqueletos, forma um visual surpreendente. Quem vai à capela pode conhecer também uma coleção de presépios.

A capela está localizada na Igreja de São Francisco, edificada entre 1480 e 1510, em estilo gótico-manuelino. A nave única, coberta por uma imensa abóbada de pedra, é uma obra-prima da arquitetura gótica portuguesa. Ornamentos em cada uma das capelas internas, especialmente na capela da Ordem terceira, recheiam a igreja por dentro.

Igreja da Misericórdia

Localizada no Largo da Misericórdia, bem no caminho entre as Portas de Moura e a Praça do Giraldo, à sombra de majestosas árvores que a protegem do calor alentejano, a Igreja da Misericórdia é um importante monumento religioso de Évora.  Determinada pelo rei D. Manuel I, pela rainha D. Maria, sua mulher, e pela rainha-viúva D. Leonor, sua irmã, a fundação da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia data de 7 de dezembro de 1499. A primeira sede foi a Capela de São Joãozinho, anexa ao Convento de São Francisco. A transferência para o lugar onde fica hoje aconteceu durante o reinado de D. João III. 

A Santa Casa da Misericórdia esteve desde sempre ligada à religião e à igreja. Do desejo de ampliar o campo de atuação e ajudar os mais desfavorecidos, no campo material e espiritual, nasce a Igreja da Misericórdia.

De perfil clássico, sóbria, a igreja guarda um lindo conjunto de arte barroca dos séculos 17 e 18. Com construção iniciada em 1554, em nave única e planta retangular, é uma das mais encantadoras igrejas de Évora. A magnífica decoração com azulejos azuis e brancos, de 1715, é composta por sete painéis representando as Obras de Misericórdia e é um dos mais importantes conjuntos azulejares de autoria da oficina lisboeta de Antônio de Oliveira Bernardes.

A nave é atravessada por um grupo de sete telas barrocas da autoria do pintor eborense Francisco Xavier de Castro. No altar-mor, o retábulo do Estilo Nacional, de oficina eborense, do início do século 18, é mais um ponto a destacar, assim como a representação a óleo da Virgem da Misericórdia, na parede do fundo. Um espaço de devoção, cheio de luz e cor que, nos dias de verão, convida a se refrescar no largo com o mesmo nome da Igreja, sentando em um dos bancos do jardim que ali existem.

Igreja Nossa Senhora da Graça

No coração do centro histórico de Évora, a Igreja da Graça, também chamada Convento de Nossa Senhora da Graça, é um lindo expoente da arquitetura religiosa renascentista. Fundada em 1511, está no Largo da Graça. Na fachada, chamam atenção algumas estátuas de atlantes que o povo de Évora apelidou “os meninos da Graça”. Três sinos aparentes ocupam o alto da torre.

Largo da Porta de Moura

Nenhuma visita a Évora é completa sem o passeio pelo Largo da Porta de Moura. Feita em mármore branco, inaugurada em 1556 e no início abastecida pelo Aqueduto da Água de Prata (o chafariz era um dos principais pontos de abastecimento de água na cidade antiga), a fonte renascentista, que aí se destaca, é um lindo exemplo da arquitetura maneirista portuguesa. Obra de Diogo de Torralva, cuja construção foi determinada pelo maior mecenas da cidade, o Cardeal-Rei D. Henrique, hoje está desativada. Ao fundo, as torres da majestosa Sé Catedral.

Entre outros atrativos do Largo da Porta da Moura, está a Casa Cordovil, em frente à fonte, com seu mirante em traçado manuelino-mudéjar, mescla do estilo próprio da expansão (o manuelino) com o estilo de inspiração mourisca (o mudéjar). Entre as torres que abrigam a antiga Porta de Moura, a janela manuelina chamada de Garcia de Resende, poeta e cronista eborense do Renascimento português e autor do Cancioneiro Geral (compilação de toda a tradição poética portuguesa dos séculos 15 e 16), é outro motivo de interesse.

Fundação Eugênio de Almeida

O Centro de Arte e Cultura Eugênio de Almeida recebe o bom gosto das exposições temporárias. O prédio do Palácio da Inquisição, onde se encontra, é um belo exemplar da arquitetura. Espaço dedicado à arte e à cultura, abriu as portas ao público em 2013, depois de uma revitalização do antigo palácio. As chamadas Casas Pintadas, o Jardim Norte, o Páteo de Honra e o Fórum Eugénio de Almeida também fazem parte do edifício. 

As exposições são basicamente focadas na arte contemporânea, mas há lugar para projetos performativos e programas pedagógicos destinados a públicos distintos, com o objetivo de motivar o interesse para as artes. Parte de dois andares que perfazem 1,2 mil metros quadrados, na parte externa o Jardim das Casas Pintadas abriga galeria com uma pintura mural palaciana da segunda metade do século 16, única no país. No geral, a arquitetura e as exposições estão ao nível das melhores casas de cultura e museus encontrados na Europa.

Casa de Garcia de Resende

Obra do século 16, em estilo manuelino-mudéjar, e classificada como Monumento Nacional, a Casa de Garcia de Resende abrigou o cronista e poeta eborense Garcia de Resende. No pavimento superior, as enormes janelas feitas em mármore e granito, representativas da arquitetura manuelina, são um capítulo a parte. Situada na Rua de São Manços, foi edificada com projeto do celebrado arquiteto Diogo de Arruda e exibe uma decoração, em alguns elementos, exótica, por assim dizer.

Antiga universidade

Fundada em 1559, a universidade de Évora é a segunda mais antiga universidade portuguesa. Depois da criação da Universidade de Coimbra, em 1537, surgiu a necessidade de uma outra instituição que servisse o sul do país. A obra foi fundada por determinação do Cardeal D. Henrique (1512-1580). A construção do Colégio do Espírito Santo, casa-mãe do centro de ensino, aconteceu entre 1551 e 1553, e a autorização para o seu funcionamento como universidade foi obtida em 15 de abril de 1559. 

A partir desse ano, até 1759, foi entregue à Companhia de Jesus, formando o corpo de missionários que evangelizaram muitas e desvairadas terras e gentes do Império Ultramarino Português, entre os séculos 16 e 18. Depois de 1759, o Marquês de Pombal, expulsando os jesuítas, encerrou os estudos promovidos por eles em Évora. Por esses corredores passariam inovações pedagógicas de diversos regimes. 

Organizada em cinco escolas (Ciências e Tecnologias, Ciências Sociais, Saúde e Desenvolvimento Humano, Artes, Enfermagem) e a Escola Doutoral – Instituto de Investigação e Formação Avançada, a Universidade de Évora oferece uma formação diversificada e reconhecida em diversos campos do conhecimento, propiciando aos estudantes, oriundos de vários países, um ambiente privilegiado de construção do saber. Em destaque, o foco em biodiversidade, alterações climáticas, energias renováveis e supercomputação. Isso sem contar a edificação que, por si só, enche a cidade de beleza.

Muralhas de Évora

Com construção ordenada no século 14 pelo Rei Afonso IV de Portugal, as muralhas de Évora protegiam a cidade de invasões durante as batalhas. Quase intocadas e muito bem conservadas, fazem o visitante viajar pela história. Aí também estão as torres de observação e as Portas de Aviz. Portais que fechavam a cidade nos anos do domínio pelos Romanos e também na época feudal são testemunhas do tempo.

 Aqueduto da Água de Prata

Inaugurado em 1537, sob ordem do rei Dom João III, o Aqueduto da Água de Prata é uma grandiosa e complexa obra de engenharia hidráulica, entre os principais atrativos de Évora. À época, foi construído para abastecer a cidade com água. São 18 quilômetros de extensão, permeando o caminho da água a partir de nascentes em terrenos do Convento São Bento de Castris até a cidade. Estudiosos apontam que o aqueduto foi construído sobre as estruturas de um aqueduto ainda mais antigo, datado do período romano. É um dos poucos dessa época que seguem em funcionamento.

Para quem aprecia passeios pela natureza, os arredores do aqueduto foram limpos e reformados, constituindo o Percurso da Água de Prata que, em oito quilômetros, pode ser uma ideia para desfrutar caminhadas ou andar de bike. O passeio é gratuito e tem uma vista linda da região do Alentejo.

Megálitos

Representante da riqueza pré-histórica do Alentejo, conjunto entre os mais relevantes da Península Ibérica e mesmo da Europa, os imensos monumentos megalíticos (traduzindo, feitos de grandes pedras) nas proximidades de Évora, e pelo Alentejo Central, são uma atração em particular. Uma viagem pelos monumentos mais antigos do continente europeu, que levam até o período neolítico antigo, entre 5.500 e 4.500 a.C. Pelo circuito, considerando apenas o distrito de Évora, são conhecidos mais de 10 recintos megalíticos, mais de 100 menires isolados, cerca de 800 antas e perto de 450 povoações megalíticas, além de aproximadamente 100 pedras com covinhas, cuja destinação não é ainda conhecida.

A dimensão grandiosa e a quantidade de monumentos megalíticos na região se devem ao fato de que aí é o único local em que se encontram as bacias hidrográficas do Tejo, Sado e Guadiana, os maiores rios do sul de Portugal. Era, por essa razão, um ponto essencial de passagem. As planícies alentejanas eram ideais para as últimas comunidades de caçadores-recoletores (como se chamam as sociedades em que a maior parte do sustento é obtido pela caça de animais selvagens e coleta de plantas silvestres) aí praticarem o seu modo de vida.

A localização dos monumentos pré-históricos foi escolhida, no entanto, não só em função da rede hidrográfica. Também leva em consideração fenômenos astronômicos relacionados com a movimentação anual do Sol e da Lua. Entre diversos monumentos megalíticos nos arredores de Évora, alguns se sobressaem pela importância e grandiosidade.

Um dos muitos menires da região, o Menir do Monte dos Almendres tem o contorno de um ovo alongado e um báculo (cajado) gravado em baixo-relevo na parte de cima, o que representa de forma evidente a importância da natureza no período, ainda mais no que se trata da domesticação de animais.

O Menir dos Almendres está próximo do Cromeleque dos Almendres (o maior monumento megalítico da Península Ibérica e um dos mais antigos do mundo, originado 2 mil anos antes do Stonehenge, na Grã-Bretanha) e ambos estão intimamente relacionados. Avistado a partir do cromeleque, o menir, lugar de sossego, indica o nascer do Sol no Solstício de verão, o maior dia do ano.

Poucos lugares tem uma mística tão poderosa quanto o Cromeleque dos Almendres – nem o próprio tempo pode abalar. O círculo de pedras também fica na freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe. Estar na região é perceber a magia de tempos já esquecidos, que brinca com a imaginação e leva às origens. Uma memória viva, que aguarda o visitante em Évora. 

De proporções gigantescas e retrato evidente de uma era de encantamento pagão, também providencialmente conhecida por Período da Pedra Polida, o Cromeleque dos Almendres é construído voltado a nascente e a poente, situado em uma encosta suave e bem alentejana na Herdade dos Almendres.

Formado por dois recintos, edificados entre o final do sexto e o terceiro milênios a.C., está entre os mais importantes monumentos megalíticos do mundo. No auge, o conjunto abrigara mais de uma centena de monólitos, pedras em granito de tamanhos diversos, dispostas em forma circular ou em elipse. Desses, 95 resistem. O conjunto foi erguido em três fases: datam do neolítico antigo os três círculos concêntricos de monólitos em forma ovoide; o recinto com duas elipses irregulares leva ao neolítico médio e, no neolítico final, ambos os recintos teriam sido modificados para a forma que mantêm hoje.

Também existem pedras de proporções maiores, com formatos fálicos, como o Menir dos Almendres. Estudiosos acreditam que o fecundar do ventre terreno com falos em pedra era uma forma de culto à fertilização das terras para a lavoura – a forte ligação que o Cromeleque e o Menir dos Almendres têm com a agricultura e pastoreio parece ser inegável, ainda que a verdadeira função não esteja clara.

O Cromeleque dos Almendres foi descoberto em 1964 pelo investigador Henrique Leonor Pina, enquanto fazia o levantamento da Carta Geológica de Portugal, e é imóvel de Interesse Público desde 1974. Em 29 de janeiro de 2015, os inquestionáveis méritos arqueológico e científico foram então reconhecidos, quando o Conselho de Ministros o reclassificou como Monumento Nacional.

Com menos de seis mil anos de existência, a Anta Grande do Zambujeiro, ou Dólmen de Zambujeiro, é mais recente que os demais monumentos megalíticos na região de Évora. Está perto de Valverde, e trata-se de um monumento funerário coletivo – as antas (ou dólmens) serviam para enterrar os mortos. 

Tudo era coberto pela mamoa, cobertura protetora da anta, comumente feita de terra e pedras, que tem uma parte vista ainda hoje. Os esteios de granito, com cerca de seis metros de altura, fazem dela, provavelmente, a mais alta anta do mundo, que também está classificada como patrimônio de interesse nacional, desde 1971. É um dos maiores conjuntos do tipo da Península Ibérica. Muitos dos achados arqueológicos durante escavações no local integram o acervo do Museu de Évora.

A Capela-Dólmen de São Brissos fica no distrito de Évora Montemor-o-Novo. Na lista dos monumentos nacionais desde 1957, não preserva a morfologia original, já que foi transformada em capela no século 17. A Anta convertida em ermida, toda caiada e com rodapé azul, ergue-se em um povoado enfeitado por frondosas azinheiras, onde o visitante experimenta a calmaria alentejana e respira o misticismo de um lugar sagrado. 

Da primitiva formação, existem vestígios misturados com a construção da capela. Não é um exemplo isolado de monumento megalítico sujeito a transformações – há inúmeras Antas convertidas em capelas, que a população preserva e venera perpetuando, por via do cristianismo, um culto de longa duração.

A Capela-Dólmen de São Brissos é visitada pelas populações circundantes todos os anos, essencialmente entre a segunda-feira de Páscoa e a quinta-feira da Ascensão. Quem deseja visitar o local pode entrar em contato pelo telefone existente em uma pequena placa no monumento.

Também no município alentejano de Montemor-o-Novo, nos arredores de Évora, a Gruta do Escoural é conhecida pela arte rupestre paleolítica (com gravuras que remontam a 25.000 a.C.) e pela realização de enterros. Está classificada como Monumento Nacional desde 1963. O sítio situa-se entre as bacias hidrográficas do Tejo, o rio Sado, e da região das planícies alentejanas, na Serra de Monfurado, de onde ainda é possível avistar a Serra da Arrábida. Parcialmente selada por um espesso manto de estalagmites, a gruta é composta de várias salas e galerias.

A ocupação inicial remonta ao paleolítico médio – grupos de caçadores-coletores neandertais a usaram como abrigo na prática da caça, basicamente de auroques, cervos e cavalos. Depois, no paleolítico superior, os residentes, constituídos por grupos anatomicamente considerados modernos, deixaram importantes vestígios na caverna – uma rocha-santuário contendo pinturas de animais desse período são testemunhas. 

Mais tarde, no decorrer do neolítico, as comunidades de agricultores e pastores aproveitaram a cavidade natural para sepultar seus mortos. No final do neolítico, a gruta ficou desabitada, mas as populações do calcolítico seguiram na região. Existem restos de um povoado fortificado, bem como de outros povoados calcolíticos, e ainda um tolo megalítico. A gruta do Escoural e a Furninha, na cidade portuguesa de Peniche, são considerados monumentos geológicos e arqueológicos afins e de importância universal.

Em 2009, aconteceram obras de requalificação, as quais dotaram as grutas de um conjunto de condições, a nível ambiental, para preservação dos vestígios gráficos de gravura e pintura. No interior, as intervenções incluíram a instalação de passadiços e iluminação, e no espaço envolvente ao monumento foi construído um novo parque de estacionamento. A reabertura ao público ocorreu em 2011.


Onde ficar

Vila Galé Évora

O hotel Vila Galé Évora abriu as portas em 2015, junto às muralhas e a dois minutos a pé do centro histórico. Em reverência à cultura do Alentejo, tem a atmosfera da tradição e história da região. A decoração bebe na fonte do Cante Alentejano, classificado como património imaterial da humanidade pela Unesco, e também remete à herança muçulmana do Reino Al Andaluz. A arte equestre também encontra referências no hotel, em uma parceria com a Escola Nacional de Arte Equestre de Alter do Chão. O hóspede pode aproveitar a estadia para passear pelo hotel e ver as imagens, as letras das ‘modas alentejanas’ escritas nas paredes, e os trajes típicos dos cavaleiros.

São 185 quartos e suítes amplos e modernos. Guardando a surpresa cromática preparada para total relaxamento, o Vila Galé Évora conta ainda com dois restaurantes, um bar, piscina exterior para adultos e para crianças, com escorregas. O spa Satsanga com vertente médica e tratamentos exclusivos com produtos naturais da região, a piscina interior aquecida, sauna e banho turco, são outras das comodidades. Quando a visita é para negócios, a hospedaria dispõe de um bem equipado centro de convenções, com quatro salas.Aproveitando o hotel de privilegiada localização, o hóspede pode, em uma breve caminhada, chegar à famosa praça do Giraldo, seguir caminho pelas pitorescas vielas e praças de Évora, passando pelo Templo Romano e pela capela dos Ossos, na Igreja de São Francisco, além do Aqueduto Água de Prata. Também pode chegar à Sé Catedral e à universidade. Nas redondezas, estão a Gruta do Escoural, o Cromeleque dos Almendres, o Castelo de Monsaraz, o Castelo de Estremoz e o Paço Ducal de Vila Viçosa.

Onde comer

A passagem pela capital do Alentejo pode ser uma chance imperdível de vivenciar os aromas, sabores e texturas da tão celebrada culinária portuguesa, que bebe na fonte do clima mediterrâneo. A lista de restaurantes em Évora é grande, e cresceu depois que a cidade entrou para a lista de Patrimônio Mundial da Unesco, em 1978.
A praça do Giraldo e as ruas ao redor, especialmente na rua Alcarcova de Baixo e 5 de Outubro (vias somente para pedestres) concentram diversos estabelecimentos. São cafés, bares e restaurantes para todos os bolsos e paladares. Duas dicas são o restaurante Fialho, lar do melhor bacalhau da região, e o restaurante Guião, especializado em cozinha alentejana e com vista panorâmica para a cidade.

A Fábrica de Pastéis, uma encantadora confeitaria expert na produção dos pastéis de nata tipicamente portugueses, é uma boa pedida para revigorar o fôlego depois do dia de caminhada pela cidade. Para quem quer aproveitar uma apresentação tradicional de fado enquanto experimenta os sabores característicos do Alentejo, o restaurante Bota Fora tem no menu versões modernas de pratos típicos, que podem ser degustados enquanto o som do folclore lusitano é entoado. Também não deixe de provar a gastronomia típica alentejana e comer as tradicionais Queijadas de Évora, a Siricaia e o Pão de Rala.

A comida feita em Portugal passa muito pelos doces, conhecidos pelo mundo, mas em Évora dá para conhecer um outro lado do país – as receitas feitas com frutos do mar. Ao longo das praias do Alentejo tem muitos pescadores e pequenos restaurantes. É fácil conseguir tudo fresquinho e temperado com os sabores locais.

Para quem pretende desfrutar da vida noturna, há variedade de bares, cafés, restaurantes, wine bars, boates e pubs, com programação variada. O Culpa Tua, lar dos melhores drinks à base de gin da cidade, é uma opção. Para uma noite diferente, o Bar do Teatro funciona no Teatro Garcia Resende. Já que se trata de uma cidade que recebe milhares de universitários, vale lembrar que, para quem quer conhecer a típica noite jovem da região, uma indicação é o Barue, da Associação Acadêmica da Universidade de Évora, para enriquecer o roteiro da diversão.

Como chegar

Entre Lisboa e Évora, a distância de 137 quilômetros pode ser percorrida de trem, de ônibus, carro alugado, ou através de tours no esquema bate-volta a partir de Lisboa. De trem, a partida é na estação Lisboa – Sete Rios, que tem ligação com a estação do metrô Jardim Zoológico da linha azul. A viagem dura 1 hora e 20 minutos até a estação de Évora. A cidade não tem aeroporto próprio e a principal porta de entrada de estrangeiros é a capital portuguesa.

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Óbidos: a vila medieval mais bem preservada de Portugal https://lugaresviagens.com.br/obidos-a-vila-medieval-de-portugal/ Fri, 08 Nov 2024 20:17:00 +0000 https://lugaresviagens.com.br/?p=7485 Uma simpática vila com ares medievais ladeada de muralhas, onde reina um castelo. Com origem que remonta ao ano de 1195, Óbidos é uma das regiões de Portugal que ainda preservam os traços da Idade Média, uma verdadeira joia do país. Por dentro dos limites amuralhados, saltam aos olhos as casas caiadas em branco, azul

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Uma simpática vila com ares medievais ladeada de muralhas, onde reina um castelo. Com origem que remonta ao ano de 1195, Óbidos é uma das regiões de Portugal que ainda preservam os traços da Idade Média, uma verdadeira joia do país. Por dentro dos limites amuralhados, saltam aos olhos as casas caiadas em branco, azul e amarelo, adornadas por flores coloridas. No alto, o imponente Castelo de Óbidos, do século 14, é o dono da paisagem, que se completa com igrejas, restaurantes, cafés, lojinhas de artesanato e outros pontos comerciais, que se distribuem pelas ruazinhas estreitas da vila murada. Por fora dos muros, mais uma lista de atrativos.

Óbidos, cujo nome quer dizer “cidadela”, ou “cidade fortificada”, foi tomada pelos Mouros em 1148, antes de receber a primeira carta de foral em 1195, durante o reinado de D. Sancho I. A história conta que a vila fez parte do dote de diversas rainhas portuguesas. É a partir da cidade que surgiu o concelho das Caldas da Rainha, antes conhecido como Caldas de Óbidos. Na época do fim de ano, já é tradição a Vila de Natal, na qual a cidade se transforma para vivenciar a data.

Castelo

Na parte mais alta da cidade histórica, o Castelo de Óbidos está em posição dominante, lembrando as raízes da vila. A data da construção não é precisa, mas os primeiros registros de que se tem conhecimento levam ao ano de 1153. Desde 2007, o castelo figura no conjunto das Sete Maravilhas de Portugal. Quem chega ao local pode visitar apenas a porção externa, já que aí funciona um hotel.

Muralhas

Do alto das muralhas de Óbidos, o visitante se depara com a visão descortinada para toda a cidadela, de onde se pode contemplar a paisagem em um momento de deleite. Nas pontas dos muros, perto do castelo, escadarias chegam ao topo. De formato retangular irregular, a muralha passou por um processo de restauração. Com circunferência de aproximadamente 1,5 mil metros, tem entre seus pontos mais distantes o intervalo máximo de 650 metros.

Porta da Vila

A Porta da Vila murada é o acesso principal a Óbidos. Rica em detalhes, guarda pelo interior uma capela, datada de 1640 e construída em reverência a Nossa Senhora da Piedade. Com o tema da Paixão de Cristo, a decoração em azulejos tradicionais portugueses, de 1740, é uma beleza em particular.

Rua Direita

Ligação entre a Porta da Vila e o Paço dos Alcaides, na entrada do castelo, a Rua Direita é a mais importante de Óbidos. É aí onde estão lojinhas de artesanato, cafés e restaurantes, que conversam com as casas caiadas e floridas.

Pelourinho

Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o Pelourinho de Óbidos está na freguesia de Santa Maria, São Pedro e Sobral da Lagoa. A estrutura cilíndrica, edificada em calcário, durante a época medieval, foi lugar de aplicação da justiça, de castigo aos criminosos. Em um dos lados, exibe o escudo com as armas reais e, em outra parte, o camaroeiro de D. Leonor, que a rainha cedeu à vila em referência à rede em que os pescadores lhe trouxeram o seu filho morto depois de um acidente de caça. D. Leonor e o Rei D. João II viveram em Óbidos, e o pelourinho era propriedade da Casa das Rainhas, essencialmente de D. Leonor, que era irmã de D. Manuel. O pelourinho surge no largo central da vila, em curiosa localização em uma rua estreita, no paredão que suporta o chafariz da Praça de Santa Maria, e tem os degraus parcialmente embebidos no muro que separa a rua da praça.

Igreja de Santa Maria

A origem da Igreja de Santa Maria, que se ergue na Praça de Santa Maria, ao fundo da Rua Direita, leva ao século 16, e tem a raiz no período visigótico. Após a conversão em mesquita, no decorrer da época muçulmana, foi reconvertida ao cristianismo depois de D. Afonso Henriques ter conquistado a vila, em 1148, consagrando o templo ao culto mariano.  As diversas intervenções na igreja são testemunhas do que aconteceu a partir de 1210, quando Óbidos se tornou pertença da Casa das Rainhas, se beneficiando do mecenato artístico e religioso da Coroa nos 600 anos seguintes. A construção é iniciativa da rainha D. Leonor, esposa de D. João II. É aí o palco do casamento entre o infante D. Afonso (mais tarde rei D. Afonso V de Portugal) com sua prima D. Isabel, em 15 de agosto de 1441, quando ele tinha 10 anos de idade e ela 8. 

A igreja passou por um período de desgaste e precisou ser remodelada. A partir de 1571, as ruínas foram transformadas para a configuração atual, sob ordem da rainha D. Catarina de Áustria. Um século depois, novas obras por iniciativa do Prior Doutor Francisco de Azevedo Caminha, que entregam à igreja um programa artístico de gosto barroco (teto, azulejos e telas das naves). 

Em trabalhos que misturam sagrado e profano, sensualidade e misticismo, elementos como o portal (que abriga imagem de Nossa Senhora da Assunção, padroeira da vila), altar, pinturas, esculturas, imagens sacras, azulejos setecentistas, decoração em madeira desenhada, entre diversas obras-primas, merecem admiração. A Igreja de Santa Maria, também chamada Igreja Matriz de Óbidos é a principal igreja da vila e guarda importância patrimonial, assim classificada como Imóvel de Interesse Público. Reflete as características estilísticas de períodos sucessivos, com elementos manuelinos, renascentistas, maneiristas e barrocos.

Igreja de São Pedro

Edificada entre os séculos 13 e 14, a Igreja de São Pedro foi fortemente abalada pelo terremoto de 1755, do que restou apenas o altar-mor em talha dourada com trono e a torre sineira. Aí estão os túmulos da pintora Josepha de Óbidos e do padre Rafael Malhão da Silveira. A arquitetura religiosa exibe elementos barrocos e neoclássicos, com protagonismo para as diversas pinturas de arte sacra. No interior, uma nave única, está o valioso retábulo barroco com a pintura ‘São Pedro a receber as chaves do céu de Cristo’, datada entre o século 17 e ao início do século 18, localizada na parede do lado da Epístola. Em frente à igreja está a Capela de São Martinho.

Santuário do Senhor Jesus da Pedra

Na parte externa das muralhas de Óbidos, fora da vila, está o Santuário do Senhor Jesus da Pedra, inaugurado em 1747. Na estrada para as Caldas da Rainha, o templo está entre os mais relevantes monumentos barrocos em Portugal. Erguido por ordem de D. Tomás de Almeida, primeiro Cardeal Patriarca de Lisboa, e do rei D. João V, o exemplar da arquitetura religiosa conversa com a paisagem rural. No interior, estão a capela-mor dedicada ao Calvário, com uma tela de André Gonçalves, e as capelas laterais dedicadas a Nossa Senhora da Conceição e à Morte de São José, com telas de José da Costa Negreiros. A peculiar imagem de pedra de Cristo Crucificado, em maquineta própria no Altar-Mor, até à inauguração do santuário esteve recolhida em uma pequena ermida junto à estrada para Caldas da Rainha – era objeto de grande devoção. Algumas lendas falam sobre a construção do Santuário do Senhor Jesus da Pedra, e têm em comum o relato sobre os maus anos agrícolas e as doenças, para as quais a imagem do Senhor da Pedra tinha poder de intercessão.

Lagoa de Óbidos

Tida como de grande importância ecológica, a Lagoa de Óbidos é o sistema lagunar costeiro mais extenso da costa de Portugal. Toma o lugar de uma depressão pouco profunda, com contornos irregulares, e encontra o mar. Considera-se que, em outras épocas, chegava até a beira da colina em que agora se constrói a vila de Óbidos, banhando os muros do castelo a poente. De rica fauna e flora, é também o destino perfeito para quem gosta de esportes náuticos – da vela à canoagem, do stand-up paddle ao mais popular kitesurf – ou quer dar uma volta de bicicleta. Ladeada por bons restaurantes, a lagoa não pode ficar de fora do roteiro de quem vai a Óbidos.

ONDE COMER

Capinha D’Óbidos

Um preparo centenário. O bolo batizado com nome de família, herança que Anabela Capinha recebeu de sua bisavó, é uma das referências gastronômicas de Óbidos. A massa da aclamada capinha d’Óbidos é feita à mão e leva ovos, limão, manteiga e especiarias diversas. Depois, os bolos são cozidos em forno à lenha. No passado, o doce era um bolo de casamento tradicional na região. Era costume que a noiva, no momento do enlace, ofertasse aos convidados um bolo em forma de ferradura (as receitas variam), guardando para si um pedaço – tudo para garantir boa sorte ao casamento. Hoje, para quem chega à vila, bom mesmo é comer.

Capinha D’Óbidos também é o nome de uma padaria tradicional na vila que serve a delícia. Só de estar por perto, chegam aos sentidos todo o aroma dos pães, doces e bolos servidos aí. Saborosos antes mesmo de serem degustados. A massa dos pães é preparada no balcão para depois ir ao forno à lenha. Mais um destaque do cardápio é o pão com chorizo (linguiça), que pode ser apreciado na companhia de um café, além do pastel de nata, ou os doces de laranja e maçã. 

Com decoração original e colorida (obras de arte de Cadima Tavares ornamentam as paredes, enquanto o teto exibe mais de mil garrafas em miniatura penduradas), aí o atendimento é cortês, e completa a experiência. Ideal para o lanche, essa padaria, inaugurada em 1883, também está entre as mais famosas da vila. Difícil é escolher entre os diversos tipos de pães e bolos que a casa oferece, dentro do menu que tem ainda variedade de bebidas frias e quentes, e mais opções da culinária portuguesa.

Ginjinha de Óbidos

Quem visita Óbidos não pode deixar de provar dois clássicos da vila: a ginja de Óbidos, um licor típico local, e o chocolate, que podem ser degustados juntos. O licor é feito de um tipo de cereja selvagem, chamada ginja. É desse fruto amargo, pequeno e avermelhado que nasce a bebida artesanal tão querida em Portugal. A iguaria docinha e de sabor pronunciado é conhecida por ginja ou ginjinha. Existem ginjinhas famosas em outras cidades, como Lisboa e Alcobaça (sempre diferentes), mas uma das ginjinhas mais celebradas do país é justamente a que é feita em Óbidos. Na vila, muitas vezes é servida em um copinho de chocolate, tornando a experiência ainda mais sensorial. As ginjinhas de Óbidos e de Alcobaça têm em comum a origem – trata-se de uma receita monástica. Conta a história que os autores do preparo eram os monges dessas regiões, pelo menos desde o século 17. Não são usados corantes, mas algumas vezes são adicionados aromas como canela ou baunilha, nesse licor que é ainda reconhecido como um excelente digestivo genuinamente português. A boa pedida é mesmo uma pequena dose, já que a ginjinha costuma ter cerca de 20% de teor alcoólico. . camilla araujo porn leak

Em Óbidos, a bebida pode ser apreciada em copinho de chocolate ou em uma taça própria para licor, ao gosto do freguês. Se a predileção for pelo copinho de chocolate, depois de beber o licor, é hora de degustar o copo – feito de um chocolate mais amargo para quebrar o adocicado da ginja. Se gostar, leve uma garrafa para casa e mate a saudade da viagem. Algumas garrafas contêm o próprio fruto dentro – dá para saborear a ginja depois de beber a ginjinha. Atenção apenas ao caroço. 

Entre os diversos locais que servem a ginjinha em Óbidos, entre barraquinhas, lojas, bares e restaurantes, um deles, e mais tradicional, é o bar Ibn Errik Rex, na Rua Direita, número 100. É o primeiro lugar a vender ginjinha em Óbidos para degustação, ainda nos idos de 1950. Aí, a bebida é feita à moda antiga, com produção própria, completamente artesanal. O ambiente, com decoração que lembra a atmosfera de um antiquário que funcionava no local – e que já servia o licor – é outro ponto a destacar. Além do licor e outras bebidas, o estabelecimento também oferece comida grelhada, tapas, peixes e mariscos, em um menu que explora a culinária típica portuguesa e outras delícias.

ONDE FICAR

Óbidos pode ser conhecida facilmente em um bate e volta de Lisboa. Mas, conforme o roteiro, se incluir outras cidades, pode ser uma boa ideia passar a noite na vila para depois seguir viagem. São várias as opções dentro e fora das muralhas, entre hotéis maiores e pequenas hospedagens. Uma coisa ou outra, a experiência certamente será mágica – tudo aí é calmo e, principalmente depois que o sol se põe, é como voltar no tempo. 

Como o acesso de carros dentro das muralhas é restrito, nem sempre dá para chegar com o veículo até a porta da hospedagem – por isso a dica é pensar bem no volume da bagagem ou escolher um hotel que esteja do lado de fora das muralhas. Outro pormenor diz respeito à acessibilidade interna das hospedagens. Alguns hotéis e casas turísticas não têm elevadores, sendo necessário subir escadas. Se é o caso de o hóspede possuir alguma limitação de mobilidade, há que se considerar essa característica.

Com a praia logo ali e o pinhal às costas, em uma falésia sobre o mar, o Marriott Praia D’El Rey está a menos de 10 quilômetros da Lagoa de Óbidos. Entre os 177 quartos, nove são suítes, uns com vista para o mar, outros para o campo de golfe e os jardins. As comodidades de luxo incluem terraços e varandas privativas. A estrutura conta ainda com piscinas interior e exterior, dois bares, ginásio com oferta de personal trainer, spa e atrações para as crianças. As diárias podem chegar a mais de R$ 2.180. 

Na categoria 4 estrelas, a Pousada Castelo de Óbidos funciona dentro do Castelo de Óbidos. Uma hospedagem medieval, pertencente ao grupo Pestana, dentro das chamadas Pousadas de Portugal – as pousadas, no país, não são hotéis familiares e com perfil simples, como no Brasil. São, na verdade, hotéis feitos a partir de edifícios históricos, como palácios, conventos e castelos. Não há elevadores, já que se trata de um monumento nacional, mas isso também é parte da experiência de dormir em um edifício original, com todo seu charme e romantismo, o que certamente vale o esforço. É ainda a oportunidade de vivenciar a história do local e despertar a imaginação. O ótimo restaurante é outra pedida. As diárias partem de uma média de R$ 1 mil.

Fora das muralhas de Óbidos, está a acolhedora Casa do Relógio, um cantinho familiar, simples e muito bem cuidado, uma boa indicação para quem quer fazer da noite em Óbidos uma experiência genuína. A origem do edifício leva ao século 18. Há quartos para duas e três pessoas e a diária custa, em média, pouco mais de R$ 320. Não tem elevador. 

COMO CHEGAR

Óbidos e Lisboa estão próximas. Entre as duas cidades, duas são as melhores formas de transporte. Pelo transporte público, o trem regional 6409 parte da capital portuguesa com destino a Caldas de Rainha, e é possível descer na estação Óbidos. A viagem sai da estação Santa Apolónia de Lisboa, perto do Museu Militar, e demora cerca de 2h20. 

Se a ideia é viajar de carro, o caminho segue em direção ao norte, tomando a avenida A8 até chegar à N114/N8. Depois, é só seguir até chegar à saída de Óbidos (há placas indicando todo o percurso). O trajeto de cerca de 85 quilômetros leva 1h10 para ser feito, em boas estradas, e o bonito visual completa o passeio.

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Fátima: o destino religioso mais procurado de Portugal https://lugaresviagens.com.br/fatima-o-destino-religioso-mais-procurado-de-portugal/ Tue, 13 Aug 2024 19:50:00 +0000 https://lugaresviagens.com.br/?p=7469 Lau gifs Um lugar de paz, introspecção, devoção e fé. A curiosidade em pisar locais sagrados, seguir as pegadas de outros tempos, sentir e fazer parte da história. Fátima, em Portugal, é um dos principais destinos do turismo religioso que existem. A cidade recebe peregrinos do mundo inteiro, durante todo o ano, para visitar o

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Um lugar de paz, introspecção, devoção e fé. A curiosidade em pisar locais sagrados, seguir as pegadas de outros tempos, sentir e fazer parte da história. Fátima, em Portugal, é um dos principais destinos do turismo religioso que existem. A cidade recebe peregrinos do mundo inteiro, durante todo o ano, para visitar o santuário, uma enorme estrutura dedicada à comunhão com Cristo e seus ensinamentos. Fátima recebeu tamanha importância depois do que se chama as Aparições de Fátima, um ciclo de aparição marianas que começou a acontecer a partir de 1917 na região. São fenômenos extraordinários que se sucederam a outras aparições de Virgem Maria, decorridas por volta de 1758, no mesmo lugar, onde hoje está o Santuário de Nossa Senhora da Ortiga.

Conta a história que, em 13 de maio de 1917, três crianças – Lúcia dos Santos, de 10 anos, Francisco Marto, de 9 anos, e Jacinta Marto, de 7 anos, afirmaram terem visto “…uma senhora mais brilhante do que o Sol” sobre uma azinheira, no momento em que cuidavam de um pequeno rebanho na Cova da Iria, próximo da aldeia de Aljustrel. Lúcia via, ouvia e falava com a aparição, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, mas não a ouvia.

A aparição de Nossa Senhora aconteceu repetidamente nos cinco meses seguintes, imbuída de uma importante mensagem ao mundo. A 13 de outubro de 1917, se apresentou como sendo “a Senhora do Rosário”. Essas aparições, acontecidas no período em que Portugal, país de maioria católica, pobre e inculto, atravessava uma das maiores crises da sua história, foram precedidas e seguidas por outros fenômenos, acontecimentos que foram relatados e redigidos pela vidente Lúcia, primeiro em 1922, e depois com mais detalhe a partir de 1935.

Localidade onde viviam apenas 25 famílias, Aljustrel era onde habitavam os pastorinhos. Lúcia era a caçula entre os sete filhos de Maria Rosa e Antônio dos Santos. Ali perto, residiam os pais de Jacinta e Francisco, primos direitos de Lúcia, Manuel Marto e Olímpia de Jesus, que criavam ao todo nove filhos. A agricultura e o pastoreio eram os principais meios de sustento das famílias. A escola não fazia parte da rotina das crianças – todas analfabetas, ajudavam os pais pastoreando ovelhas. Apenas a mãe de Lúcia, Maria Rosa, tinha aprendido algumas letras. Com isso, os pequenos aprenderam a catequese e várias histórias de aparições de Nossa Senhora, juntamente com a Bíblia e o livro “Missão Abreviada”, pela boca da mãe de Lúcia. Antes da aparição de 1917, os pastorinhos tiveram, no ano anterior, três visões de um anjo.

Fé e devoção

Controvérsias envolvem o fenômeno das aparições que, tendo ocorrido em outras ocasiões seguidas, inclusive levaram multidões para ver surgir Virgem Maria. Argumentos acalorados de meios ateus e agnósticos, e da própria Igreja Católica – que parece ter sido cautelosa -, colocam em xeque os acontecimentos. Duvida-se que as próprias aparições tenham existido, que as palavras da entidade tenham sido outras do que as relatadas, algumas pessoas dizem que as aparições nada têm a ver com religião, outros tratam tudo como uma grande encenação. Só em outubro de 1930 a Igreja reconheceu as aparições como dignas de crédito.

Localizada a cerca de 130 quilômetros de Lisboa, a Cova da Iria é onde foi erguido o Santuário de Fátima, símbolo da identidade católica de Portugal, que eterniza a história das aparições. Altar do mundo, um daqueles lugares carregados de energia, é uma instituição de importância reconhecida pela Santa Sé, centro de peregrinação mais procurado do país e também um dos mais visitados do mundo. Só em 2017, quando se completaram cem anos da primeira aparição da Virgem Maria às três crianças pastorinhas na região, a cidade recebeu quase 10 milhões de fiéis – nesse mesmo período, o Brasil inteiro foi visitado por 6,5 milhões de turistas. Fátima reúne rica variedade de elementos, entre estruturas temporais, donas de conteúdo simbólico, e edificações mais formais e imponentes. Se tornou ainda um importante complexo arquitetônico repleto de significados, e contribui para o desenvolvimento da região.

Os chamados santuários marianos são espaços dedicados ao louvor a Virgem Maria, e estão espalhados pelo mundo, em locais como Espanha, Reino Unido e no Brasil, além de Portugal. Nesse país, o principal é mesmo o Santuário de Fátima, parte de uma rota mundial de turismo religioso que inclui a Santa Sé (Itália), Santiago de Compostela (Espanha), Lourdes (França) e a Terra Santa (Jerusalém).

Desde 1917, peregrinos e devotos rumam ao interior português, principalmente nos dias 13 de cada mês, para orar e venerar Nossa Senhora de Fátima. De norte a sul de Portugal, mosteiros, ermidas, igrejas e santuários foram construídos em honra a Nossa Senhora e são os locais escolhidos para celebrações e festas ao longo de todo o ano.

Capelinha da Aparições

Destino de milhares de fiéis e turistas todos os anos, a Capelinha das Aparições é a origem do atual Santuário de Fátima. Já contamos aqui a história das aparições. No coração da cidade, a capelinha ocupa o lugar preciso em que os três pastorinhos disseram ter visto Virgem Maria, por seis vezes.

A Virgem teria pedido a Lúcia, Francisco e Jacinta para construírem uma capela em sua honra. É esse o primeiro edifício construído na Cova da Iria, a partir de 1918, no local indicado pela santa. A construção terminou em 1919 e em 1921 começou a celebração das missas. Em 1922, precisou ser reformada depois de ter sido dinamitada por desconhecidos. Ao longo do tempo, passou por processos de ampliação diante do grande número de peregrinos, e assim recebeu as colunatas e a Praça Pio XII, aumentando a capacidade de recepção em um grande espaço aberto.

A construção, dona de uma simplicidade encantadora e com traços de um santuário popular, abriga a imagem de Nossa Senhora de Fátima, de 1,37 metros de altura e 19 quilos. Em 1942, um grupo de mulheres portuguesas ofereceu à imagem a coroa de ouro, em ação de graças por Portugal não ter entrado na Segunda Guerra Mundial. Com 1.200 gramas, 313 pérolas e 2679 pedras preciosas, a peça tem incrustada a bala oferecida a João Paulo II no atentado de que foi vítima em Roma, em 1981, em sinal de agradecimento à Virgem, por ter-lhe salvo a vida. A estátua deixa a Capelinha das Aparições somente em ocasiões consideradas muito especiais.

Capela do Santíssimo Sacramento

Lugar procurado por católicos, mas também por pessoas que experimentam momentos de inquietude, a Capela do Santíssimo Sacramento, em Fátima, é conhecida como “capela do silêncio”.  No contexto da narrativa dos acontecimentos de 1917, entende-se que foi pedido aos videntes, os pastorinhos, que se dedicassem à oração para reparar as ofensas do mundo. Diariamente, observa-se um movimento discreto de fieis, em sua maioria mulheres, que vão à capela, hoje situada na galeria dos Apóstolos, corredor subterrâneo do complexo da Basílica da Santíssima Trindade, no topo oeste do santuário. 

A capela foi erguida de maneira a garantir o isolamento acústico, fazendo a experiência um instante de imersão e saída do mundo exterior, enquanto se perfazem correntes de adoração, em louvor contínuo – o silêncio permite uma escuta centrada em Deus, levando cada um a perceber o que vai por dentro. O padre Joaquim Ganhão fala em um espaço onde quem entra pode ter “um encontro, antes de mais, consigo mesmo. Entrar é já “um ato de coragem de parar e de calar, para escutar o silêncio, porque o silêncio fala imenso”, sublinha o responsável pelo setor litúrgico do santuário. O ostensório, de prata, que guarda a hóstia consagrada, é da autoria do escultor Zulmiro de Carvalho e data de 1986. A capela, que nunca fecha as portas para o público, tem 200 lugares.

Basílica de Nossa Senhora do Rosário

Uma das estruturas mais icônicas do santuário, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima – ou, de modo abreviado, Basílica do Rosário – ocupa o lugar onde os três pastorinhos brincavam quando viram o clarão que antecedeu a primeira aparição da Virgem Maria. A construção começou em 1928, e a sagração aconteceu em 7 de outubro de 1953. Em 1954, recebeu o título de Basílica Menor pelo Papa Pio XII. Arquiteto holandês radicado em Portugal, é Gerardus Samuel van Krieken que assina o projeto original, depois continuado por João Antunes, com o falecimento de van Krieken. 

Diferente do modernismo comum à época, esta é uma obra de característica revivalista (neobarroco) que iria marcar a definição de um vocabulário arquitetônico no campo da arquitetura religiosa. Com 70,5 metros de comprimento e 37 de largura, a basílica foi toda feita com pedra calcária da região, denominada branco de mar, o que confere uma particular luminosidade ao interior. Aí também está um monumento em homenagem a Jacinta, que tem seus restos mortais repousados na basílica, assim como os do irmão Beato Francisco, e a prima Lúcia.

Basílica da Santíssima Trindade

Inaugurada em 2007, a Basílica da Santíssima Trindade, à frente da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no extremo oposto do santuário, é a construção mais recente do complexo. Volta-se ao culto da Santíssima Trindade. A escolha da dedicação da basílica à Santíssima Trindade deve-se às aparições do Anjo da Paz, com o seu insistente convite à adoração a Deus, Santíssima Trindade; às palavras do Papa João Paulo II em maio de 1982, proferidas na Capelinha das Aparições, pelas quais elevou a sua ação de graças à Santíssima Trindade; e também ao Grande Jubileu em 2000, também em louvor à Santíssima Trindade.

A ideia de se ter um novo templo no Santuário de Fátima leva ao ano de 1973, com o entendimento de que a Basílica de Nossa Senhora do Rosário não comportava mais o grande número de peregrinos. O santuário promoveu, em 1997, um concurso internacional para a concessão de um novo edifício junto à Praça de Pio XII, e o lançamento da primeira pedra aconteceu em 6 de junho de 2004, dia da Solenidade da Santíssima Trindade. 

A construção foi concluída em 2007 e, em 2012, a igreja foi elevada à categoria de basílica. Hoje pode receber até 9 mil pessoas, em 40 mil m² de área – está entre os maiores templos católicos do mundo em capacidade. No espaço amplo, moderno e com boa acústica, todos os dias acontecem missas. Ali perto, uma escadaria leva a uma área subterrânea, onde ficam várias capelas de oração e um ambiente dedicado a exposições relativas à Nossa Senhora, aparições e outras temáticas a ver com o santuário.

Capelas de Reconciliação

O Santuário de Fátima é lugar de reconciliação com Deus e de abertura à caridade, com a comunhão e também a reconciliação com os irmãos. Quem é perdoado aprende a perdoar, quem vivencia a paz de se reconciliar com Ser supremo se volta para as obras da paz e fraternidade. E o sacramento da reconciliação, ou penitência, tem um espaço próprio em sua dedicação no Santuário de Fátima. É celebrado diariamente nas Capelas da Reconciliação (Capela do Imaculado Coração de Maria e Capela do Sagrado Coração de Jesus com, respectivamente, 12 e 16 confessionários), no piso inferior da Basílica da Santíssima Trindade, mais propriamente na Galilé dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. Uma das experiências fundamentais do santuário, ambiente de acolhimento, conforto, alívio e descanso.

Capela da Morte de Jesus

Também localizada na área da da Galilé dos apóstolos São Pedro e São Paulo, a Capela da Morte de Jesus recebe celebrações da programação oficial do Santuário de Fátima, e tem capacidade para 600 pessoas sentadas.

Capela da Ressurreição de Jesus

Com 200 lugares e 16 confessionários, a Capela da Ressurreição de Jesus também integra o conjunto da Basílica da Santíssima Trindade. É mais uma capela que fica na parte da Galilé dos apóstolos São Pedro e São Paulo.

Via-Sacra

Representação do trajeto feito por Jesus quando carregou a cruz até ao Calvário, a chamada Via-Sacra no Caminho dos Pastorinhos perpassa o caminho que os pastorinhos percorriam entre Aljustrel, onde viviam, e a Cova da Iria, quando iam apascentar os rebanhos. Começa na Rotunda de Santa Teresa de Ourém (Rotunda Sul) e se encerra no Calvário Húngaro – em sua raiz denominado “Calvário Húngaro Cardeal Mindszenty” -, cuja capela é uma reverência a Santo Estêvão, rei da Hungria. Também conhecida como Via Sacra dos Valinhos ou Via Sacra Húngara, tem 14 estações que, assim como a capela, foram oferecidas pelos católicos da Hungria, com projeto de Ladislau Marec.

A ideia de construir a Via-sacra partiu de refugiados húngaros como um voto pela libertação da Hungria do domínio comunista. O primeiro bispo de Fátima autorizou a construção em 16 de julho de 1956. Foi criada primeiro para instalação na parte traseira da Basílica, mas, com a concepção da Via Sacra de azulejos no interior da Colunata, o projeto foi redirecionado para onde está hoje. As estações que representam a paixão de Jesus culminam em uma cena adicional com a crucificação no monte do Gólgota.
Em 21 de junho de 1959, foi benzida a primeira pedra da Via-sacra, e em 11 de agosto de 1962 a primeira pedra da capela. As estações e a Capela de Santo Estêvão foram benzidas no dia 12 de maio de 1964. A 15ª estação, benzida e inaugurada em 13 de outubro de 1992, foi ofertada pela paróquia húngara de Lajosmizse em sinal de gratidão pela “ressurreição” da Hungria.

Feitos em baixo relevo, os painéis das estações e a imagem de Nossa Senhora Padroeira da Hungria, que está na capela, têm assinatura de Maria Amélia Carvalheira da Silva. As esculturas do calvário são obra de Domingos Soares Branco. Na capela, os vitrais, de concepção de Pedro Prokop, fazem alusão a santos húngaros, e os dois grandes mosaicos do teto, concebidos com pequenas pedras de mármore e de mesma autoria, retrata a aparição de Nossa Senhora aos três videntes e a entrega da coroa da Hungria pelo rei Santo Estêvão a Nossa Senhora.

Ao longo da Via-Sacra é também possível encontrar o “Local do Anjo”, onde os três pastorinhos viram o “Anjo da Paz” pela primeira e terceira vez.

Casas dos Pastorinhos – Aljustrel

A cerca de dois quilômetros do santuário, está Aljustrel, aldeia onde viviam os três pastorinhos. Aí estão três núcleos museológicos geridos pelo Santuário de Fátima: Casa-Museu de Aljustrel, a Casa de Lúcia e a Casa do Francisco e da Jacinta. A primeira fica na antiga residência da madrinha de batismo de Lúcia. A inauguração do que é o primeiro núcleo museológico fixo do santuário é de 1992. O chão batido, as paredes em pedra e barro e os poucos e simples móveis no interior são uma viagem pelo cotidiano da região no tempo das aparições, no início do século passado.

Ao lado, a casa onde nasceu e morou Lúcia, com seus pais e irmãos, é agora a Casa de Lúcia, onde aconteceram os interrogatórios iniciais voltados a apurar a veracidade das aparições. Foi a própria irmã Lúcia que, em 1981, então já religiosa carmelita descalça, doou a casa ao santuário. Adquirida pelo santuário em 1996, a Casa do Francisco e da Jacinta, a 200 metros da Casa de Lúcia, foi depois reconstruída. Por lá, estão alguns pertences das famílias e a representação de como seria um lar na Vila Aljustrel durante a infância dos pastorinhos. Fique atento, pois as casas costumam estar abertas das 9h às 18h, fechando para visitas entre 13h e 14h.

Procissão das Velas

O complexo católico, constituído pela tradicional Basílica de Nossa Senhora do Rosário, e a moderna Basílica da Santíssima Trindade, tem, na área central, uma grande esplanada. É aí onde, quando cai a noite, ocorre a Procissão das Velas (um momento emocionante para quem vai a Fátima) e, durante todo o dia, peregrinos fazem percursos de joelho em demonstração de fé. É também neste pátio central que multidões se reúnem em dias de celebração no calendário cristão. A procissão parte da Capelinha das Aparições, que tem ao lado um espaço para a retirada das velas (pede-se que se deixe uma oferta, conforme o tamanho da escolhida), além de uma área com fogo constante, onde são acesas e depositadas as velas.

A Procissão das Velas acontece nos meses mais quentes do ano, todas as noites. Uma experiência emocionante para os fiéis que aí se reúnem. O terço é rezado na Capelinha das Aparições. Os religiosos são convidados a segurar as velas acesas e, depois da oração, caminhar em procissão pela esplanada, acompanhando a imagem da Virgem Maria de Fátima. Para vivenciar o evento, é melhor pernoitar em Fátima, já que a procissão ocorre a partir das 21h30.

Missas

Entre as missas realizadas no Santuário de Fátima, os devotos podem escolher experimentar retiros espirituais, momentos de confissão, onde também o espaço é aberto para celebrações de batismos e casamentos.

Sobre os horários das missas, que ocorrem em alguns espaços de Fátima, é recomendado, antes da visita à cidade, consultar a programação dos cultos disponível no site oficial do santuário.

Como exemplo, um recorte da programação de um domingo e uma segunda-feira:

Domingo:

7:30 – Missa – Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

9:00 – Missa – Basílica da Santíssima Trindade

10:00 – Terço – Capelinha das Aparições

11:00 – Missa –  Recinto de Oração

12:30 – Missa – Basílica da Santíssima Trindade

14:00 – Hora de reparação ao Imaculado Coração de Maria – Capelinha das Aparições

15:00 – Missa – Basílica da Santíssima Trindade

16:00 – Terço – Capelinha das Aparições

16:30 – Missa – Capelinha das Aparições

17:30 – Procissão eucarística – Recinto de Oração

18:30 – Terço – Capelinha das Aparições

18:30 – Missa – Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

21:30 – Terço – na Capelinha das Aparições

22:15 – Procissão das velas – Recinto de Oração


Segunda:

7:30 – Missa – Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

7:30 – Confissões – Capelas de Reconciliação até às 13:00

9:00 – Serviços de atendimento na Reitoria

10:15 – Veneração dos Pastorinhos – Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

11:00 – Missa – Basílica da Santíssima Trindade

12:00 – Terço – Capelinha das Aparições

12:30 – Missa – Capelinha das Aparições

14:00 – Hora de reparação ao Imaculado Coração de Maria – Capelinha das Aparições

14:00 – Confissões, nas Capelas de Reconciliação até às 19:00

15:00 – Missa – Capela da Morte de Jesus

16:30 – Missa – Capela da Morte de Jesus

18:00 – Veneração dos Pastorinhos – Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

18:30 – Terço – Capelinha das Aparições

18:30 – Missa – Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

21:30 – Terço – Capelinha das Aparições

22:15 – Procissão das velas – Recinto de Oração

Dividindo as missas entre os turnos do dia, dá para fazer mais um recorte:

Manhã
7:30 às 8:45 – Missa – Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

9:00 às 11:15 – Missa – Capela da Morte de Jesus

11:00 às 12:15 – Missa – Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

12:30 – 13:15 – Missa – Capelinha das Aparições

Tarde e noite

15:00 às 16:15 – Missa – Capela da Morte de Jesus

16:30 às 17:45 – Missa – Capela da Morte de Jesus

18:30 às 19:45 – Missa – Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

Onde comer

Com o incremento das opções de restaurantes, transportes e alojamentos em Fátima, os peregrinos encontram a possibilidade de combinar lazer e peregrinação de uma forma mais confortável e acessível. Quando o assunto é o que vai à mesa, uma variedade de opções.

Restaurante Manhãs

Perto do santuário, o restaurante Manhãs tem entre as estrelas do cardápio o bacalhau gratinado com broa, o bife à pimenta e as costeletas de borrego. Para quem pode desembolsar um pouco mais, é uma opção certeira. O preço é acima da média, mas a qualidade é inabalável.

Av. D. José Alves Correia da Silva 114B, 2495-402 – 351 249 534 327 – Aberto às 12h – 15h, 19h – 21h30 – Terça-feira fechado

Lanterna do Fado

O restaurante Lanterna do Fado é, para muitos, um dos melhores restaurantes de Fátima. A casa lembra as construções tradicionais feitas em pedra, formando um espaço rústico tipicamente português. É um pouco longe do santuário, é bem verdade, mas vale a visita. O cliente pode deliciar-se com o galo assado ou javali com salada de laranja.

Rua Principal 126A, Giesteira-Fátima, 2495-591 – 351 249 534 435 – Aberto às 12h – 15h, 19h – 21h – Terça-feira fechado

O Crispim

Em uma rua mais afastada do santuário, está O Crispim. O espaço acolhedor não é a melhor escolha se quiser um lugar calmo para uma refeição, já que as mesas são bem próximas. Mas pode ser uma chance de partilhar os elogios aos pratos com o vizinho do lado.

Rua de São João Eudes 23, 2495-630 –  351 249 532 781 – Aberto às 11h – 16h, 19h -23h –  Terça-feira fechado

Pregaria da Iria

O “prego” é a designação portuguesa para um bife de vaca no pão. Para uma refeição rápida, deliciosa e a bom preço, vá à Pregaria da Iria.

Rua de São João de Deus 11, 2495-401 – 351 249 155 460 – Aberto às 10h – 22h – Domingo fechado

Cafetaria Chocolate e Canela

Já a Cafetaria Chocolate e Canela é uma pastelaria tradicional para acompanhar um chá ou café durante a tarde, no momento de descanso.

Rua de Santo António 72, 2495-402 – Aberto às 9h – 21h, todos os dias

Onde ficar

Se a visita for mais turística do que religiosa, pouco mais do que duas ou três horas são suficientes para conhecer o Santuário de Fátima. Mas, se o intuito é vivenciar Fátima, participar das missas, rosários e mergulhar na energia da cidade, reserve pelo menos um dia inteiro com pernoite. A cidade tem diferentes opções de hotéis, para todos os gostos e bolsos. 

Luz Houses

Situado em meio a jardins exuberantes, este hotel chique inspirado na arquitetura local tradicional tem uma atmosfera de vila. O Luz Houses fica a dois quilômetros do Museu de Cera de Fátima e a três quilômetros da rodovia IP1 e do Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Arejadas e elegantes, as acomodações têm entrada privativa de pedra, wi-fi gratuito, TV com tela plana, frigobar, cofre e equipamento para preparo de chá e café.

Alguns quartos contam com terraço, lareira e banheira vitoriana. As suítes incluem área de estar e/ou minicozinha. Café da manhã e estacionamento estão inclusos nas diárias. Outras comodidades são piscina externa, mercearia, espaço para reuniões, terraço e lounge com lareira. Aulas de ioga e serviços de massagem estão disponíveis em um aconchegante ambiente de caverna. Conhecido pela decoração mágica, é o lugar ideal para uma escapadinha de fim de semana a dois. Uma pernoite para casal parte de cerca de 700 euros.

Rua Principal, nº 78, Moimento, 2495-650 – 351 249 532 275 – www.luzhouses.pt

Hotel Santa Maria

No descontraído Hotel Santa Maria, os quartos são espaçosos e o atendimento é gentil e amigável. Uma vantagem para quem está viajando de carro por Portugal é que conta estacionamento gratuito e coberto. Mesmo após o check out, é possível deixar o carro no estacionamento para assistir uma missa antes de ir embora, por exemplo. O hotel serve todas as refeições e o visitante já pode fazer a reserva com pensão completa.

A hospedaria está a sete minutos a pé do Santuário de Fátima, a quatro minutos de caminhada da Basílica da Santíssima Trindade e a 12 quilômetros do Castelo de Ourém. São quartos modernos, com wi-fi gratuito e TV com tela plana, além de frigobar e cofre. As suítes contam com de sala de estar e algumas têm sacada e banheira de hidromassagem.
O buffet de café da manhã é servido em um restaurante arejado com janelas do chão ao teto e vista para o jardim. Há também um bar e um lounge com lareira e TV, restaurante com cozinha tradicional portuguesa e internacional, jardim exterior, além de um terraço com vista para o santuário e parque infantil. Outras comodidades incluem um centro comercial e 12 salas de conferências. Junto ao hall, está uma loja de artigos selecionados e artesanato português. Com um design arquitetônico contemporâneo, a luminosidade presente em todos os espaços cria uma atmosfera acolhedora e relaxante.
As diárias de preço mais elevado podem passar de 520 euros, em um mínimo de cerca de 300 euros.

Rua de Santo António 79, 2495-430 – 351 249 530 110 – www.hotelstmaria.com/pt/

Hotel Santo Antônio de Fátima

A menos de dois quilômetros do Centro de Fátima, o Hotel Santo Antônio de Fátima, classificado como três estrelas, tem 44 quartos com vista para a cidade. Este pequeno hotel é uma ótima escolha pela relação qualidade-preço. Os atrativos mais próximos são o Museu de Cera de Fátima, a 200 metros de distância, e a Fátima Luz e Paz – a 16 minutos a pé da propriedade. Outros pontos turísticos nos arredores são a Basílica da Santíssima Trindade e a Capelinha das Aparições. O hotel está localizado ainda a poucos minutos de carro da Casa da Lúcia. Os hóspedes podem aproveitar os restaurantes nos arredores, a poucos minutos de caminhada, e os quartos têm banheiros privados com chuveiro e banheira. As diárias partem de cerca de 260 euros.

Rua de São José 10, 2495-434 – 351 249 533 637 – www.hotelsantoantonio.com |

Como chegar

Entre as opções para ir de Lisboa a Fátima, uma das melhores é o ônibus. A empresa Rede Expresso tem viagens todos os dias, em vários horários, partindo do Terminal Rodoviário Sete Rios. O desembarque é no terminal de Fátima, bem próximo ao Santuário. O trajeto leva aproximadamente 1h30, e as passagens custam a partir de 10,90 euros. É bom ter atenção para o fato de que o guichê da empresa na rodoviária de Fátima não aceita cartões internacionais. O indicado é comprar todos os trechos em Lisboa ou pela internet. Para quem visitar Fátima apenas de passagem, em um pit stop em uma viagem entre Lisboa ou Porto, por exemplo, acomodar a bagagem no guarda-volumes na rodoviária da cidade é uma boa ideia. O serviço é oferecido diariamente junto ao único guichê do terminal, das 6h30 às 21h. São cobrados 2,50 euros por cada bagagem.

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Cascais: a riviera portuguesa é o destino preferido da realeza https://lugaresviagens.com.br/cascais-e-estoril/ Thu, 16 May 2024 18:37:00 +0000 https://lugaresviagens.com.br/?p=7441 Pertinho de Lisboa, Cascais nasceu como uma pacata aldeia de pescadores, como ficou até os idos do século 14, antes de receber condição de vila. Fundada oficialmente em 1364, é uma estância balnear que chama para escapar da cidade e aproveitar a natureza. Uma linda enseada, recheada de palacetes e praias, que caiu no gosto de turistas

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Pertinho de Lisboa, Cascais nasceu como uma pacata aldeia de pescadores, como ficou até os idos do século 14, antes de receber condição de vila. Fundada oficialmente em 1364, é uma estância balnear que chama para escapar da cidade e aproveitar a natureza. Uma linda enseada, recheada de palacetes e praias, que caiu no gosto de turistas do mundo inteiro.  

A localização estratégica, importante para resguardar a capital portuguesa de invasores, fez com que ali fossem erguidas grandes fortificações. A partir do século 19, o rei D. Carlos e a família real aí se instalam, encantados com a beleza da região. Nessa época também foi feita a ligação de trem entre Lisboa e Cascais, um impulso ao crescimento da cidadela.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Cascais foi o destino de personalidades, que desfrutavam do local como refúgio. Como exemplo, o Rei Humberto II de Itália e Antoine de Saint Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe. A cidade também já desempenhou o papel de centro de espionagem e, dessa forma, inspirou o escritor e agente secreto britânico Ian Fleming a criar as aventuras de James Bond.

Com pouco mais de 97 km², a cidade não é muito grande. É constituída por quatro freguesias (bairros): Alcabideche, Carcavelos e Parede, Cascais e Estoril, e São Domingos de Rana. Mais central e mais cara, a região do Estoril exibe as construções mais luxuosas e as residências de alto padrão. Se a intenção é ficar perto do centro e economizar, a melhor ideia são as localidades de São Domingos de Rana ou Carcavelos e Parede.

Estar em Cascais, hoje com mais de 200 mil habitantes, é desfrutar de um eterno clima de férias, em um lugar banhado pelo Oceano Atlântico, de temperatura amena, pouca chuva, paisagens que não cansam de ser apreciadas, tudo isso com a pitada amável e acolhedora com que os moradores recebem quem chega.

Orla de Cascais | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Cidadela de Cascais

Entre os destinos prediletos dos visitantes, a Cidadela de Cascais está às margens do Rio Tejo. Reúne construções emblemáticas da região, como a Torre de Santo Antônio, o Forte de Nossa Senhora da Luz e o Palácio da Cidadela. É um espaço fortificado e, a princípio, a construção teve o papel de resguardar e defender a costa portuguesa de ataques marítimos. Em 1870, o complexo transformou-se na casa de verão dos reis de Portugal. Atualmente, ainda se destina a ser casa de veraneio para o presidente do país. É também a Cidadela de Cascais palco da inauguração da iluminação elétrica em Portugal, que aconteceu em 28 de setembro de 1878, em comemoração ao aniversário do então príncipe D. Carlos.

Farol Museu de Santa Marta

Única estrutura em Portugal que reúne espaços expositivos e a função de sinalização costeira, o Farol Museu de Santa Marta é um roteiro de cultura e lazer. Passou por uma reforma em 2007 e oferece, para o visitante, a oportunidade de conhecer a antiga residência do faroleiro, as plataformas das baterias, direcionadas para o mar, e o centro de documentação do Farol. É o cartão-postal de Cascais.

Farol Museu de Santana | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Baía e Marina de Cascais

No Centro de Cascais todos os caminhos levam ao mar. Largo principal da cidade, a Baía de Cascais, com suas ruelas cheias de lojas e restaurantes, guarda encantos. O lugar reúne diferentes eventos que acontecem ao longo dos anos, como os festivais de música no verão ou os mercadinhos de Natal. Mirando o litoral, no percurso pelo lado direito da Baía, se alcança a Cidadela de Cascais, onde está a Marina. Aí também ficam lojas, bares e restaurantes, e são realizados eventos de vela, lugar preferido pelos praticantes devido à posição privilegiada. A Baía e a Marina exibem os traços que caracterizam o local de partida e chegada de barcos, que atracam na região.

Baía e Marina de Cascais | Foto: Marden Couto

Forte de Cascais

No complexo fortificado da Cidadela de Cascais, estão a Torre de Santo Antônio, o Forte de Nossa Senhora da Luz e o Palácio da Cidadela de Cascais. Sobre o Forte de Cascais, sabe-se que a construção teve início em 1594. Como retrato das ideias inovadoras dos arquitetos militares italianos à época, a torre quatrocentista recebeu três baluartes que passaram a envolvê-la, e o traçado arquitetônico também se caracteriza pela planta triangular. O terremoto de 1755 abalou a estrutura severamente. Uma porção da antiga torre desmoronou. Agora, o que se vê são as bases dos arcos, assim preservadas. 

A Torre de Santo Antônio, conservada no interior da fortaleza, sem ter sido destruída, começou a ser edificada no fim do século 15. A exemplo de outras erguidas no decorrer do reinado de D. João II, como a da Caparica e a de Belém, guarda características de transição entre a arquitetura medieval e a abaluartada.

Ainda na Cidadela, a história mostra que, em 1871, o rei D. Luís adaptou a casa dos governadores e a destinou a ser residência de verão da família real. Com o rei se juntou a corte, e o lugar caiu na preferência da aristocracia, que construiu belos palácios, que então definiram nova vida à região. Foi nessa casa que o rei D. Luís permaneceu durante sua doença e faleceu, em 1889. 

Forte de Cascais | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

Parque Municipal 

Criado na década de 1940, o Parque Marechal Carmona é tido como um dos pulmões de Cascais. É fruto da junção dos jardins do Palácio Condes de Castro Guimarães, cujo museu está localizado nas imediações do parque, e os terrenos do Visconde da Gandarinha. Com um jeitão romântico, tem recantos que certamente vão agradar os namorados, no parque que também é preferido pelas famílias. Aí estão dois parques infantis, para bebês e os mais crescidinhos. Patos, galos e pavões por ali passeiam sem timidez, esperando o alimento que os guardas não deixam ninguém dar. Outro destaque é o grande relvado para apanhar banhos de sol.

Mercado da Vila

O Mercado da Vila de Cascais, originalmente construído em 1952, é resultado da revitalização do mercado tradicional da cidade, realizada em 2013. O novo espaço ganhou lojas e restaurantes. Aí se encontram flores, frutas e legumes frescos, carnes e frutos do mar, além de peças de vestuário, artesanato e itens domésticos. O mercado também abriga feirinhas com produtos regionais, e feiras temáticas que acontecem todos os meses. Um lugar que respira a identidade da cidade.

Bairro dos Museus

Nos arredores da Baía de Cascais, o Bairro dos Museus, epicentro cultural da vila dedicado à arte, abriga mais de dez museus e parques, inclusive palacetes que já serviram como moradas de verão para a aristocracia portuguesa. Entre eles, o Museu Condes de Castro Guimarães (que exibe peças antigas, como porcelanas orientais e mais de 25 mil livros) e o Palácio da Cidadela, que ainda hoje preservam a decoração original. No Museu do Mar, a história naval e pesqueira de Cascais é narrada por meio de exposições interativas. A região guarda ainda a Casa Sommer, o Centro Cultural, a Casa de Santa Maria, o Museu da Música Portuguesa, o Espaço Memória dos Exílios, farol, fortaleza e forte. Com destaque para a arquitetura inusitada, a Casa das Histórias Paula Rêgo, desenhada pelo conceituado arquiteto português Eduardo Souto Moura, se dedica à magnífica obra da pintora.

Praias de Cascais

Chegando ao centro de Cascais, quase todas as ruazinhas levam às praias, celebradas por todo seu charme. Mais desertas ou as mais badaladas, são 17 praias na região, em cerca de 30 quilômetros de litoral. Acompanhando o paredão na orla, o caminho começa na Praia da Conceição, passa pela Praia da Duquesa e pela Praia das Moitas, seguindo assim até o Estoril, onde estão a Praia do Monte Estoril e a Praia do Tamariz, de frente para o Cassino do Estoril. Percorrendo a beira-mar de Cascais a Estoril, também estão a Praia da Ribeira, Praia da Rainha, Praia da Poça, Praia da Azarujinha e a Piscina Oceânica. A região é point de diversão no verão, com bares, restaurantes e boates ao ar livre. Para praticantes de stand up paddle, a enseada pode ser explorada de uma perspectiva diferente. E tem opção de praia para todos. Menores, mais abertas, para surfistas, para famílias, mais acessíveis e também mais distantes, seja qual for a intenção, o passeio é imperdível.

Praia de Cascais | Foto: Marden Couto

Pedalar pela ciclovia à beira-mar

Passear de bicicleta ou de patinete pela ciclovia que liga as proximidades da Praia de Santa Marta e a Praia do Guincho, passando pela Boca do Inferno, é mais um programa interessante para se fazer em Cascais. As bicicletas e os patinetes estão disponíveis para aluguel no centro da vila (há um ponto em frente à estação de trem) e podem ser usadas para ir até a Boca do Inferno, sendo que o trecho inicial não conta com ciclovia. Se a ideia é chegar à Boca do Inferno caminhando, a bicicleta e o patinete podem ser alugados nos aplicativos específicos (Bird) e na Mobi Cascais, localizada a cerca de um quilômetro depois da Boca, em direção à Praia do Guincho. 

Cenário digno de cinema, a Praia do Guincho, pouco mais distante do centro, é uma das preferidas de Cascais. O panorama para a Serra de Sintra, o areal que adentra o mar. Tudo o que merece ser desfrutado. Ondas e ventos fortes fazem da praia lugar ideal para campeonatos de windsurf, kitesurf, surf e bodyboard, ou para os iniciantes. Depois de aproveitar um delicioso dia de praia, o Bar do Guincho é a melhor pedida para vislumbrar o sol se pondo às águas.

O mar revolto que há séculos encontra a falésia, fazendo nascer cavernas, faz da chamada Boca do Inferno um espetáculo em contínua transformação. O lugar, distante apenas dez minutos a pé do Bairro dos Museus, não pode faltar na lista de quem vai a Cascais. É um cenário majestoso que demonstra a força inexorável da natureza.
Um tipo de arco em formato de boca em um enorme paredão rochoso, a Boca do Inferno, além de apreciada para o turismo, guarda lendas ancestrais, que tornam o lugar ainda mais curioso. Contam que um mago avistou do alto de seu castelo a amada fugir com um cavaleiro. Tomado pela raiva, abriu o buraco no paredão, engolindo os amantes. Com isso, o buraco ficou aberto e nunca mais se fechou. Fato é que se trata de uma gruta formada há milhares de anos que, com a força das ondas, viu a parede rochosa ceder, originando o formato atual.

Cassino Estoril e Praia de Carcavelos

Por ali mesmo, seguindo a linha do trem, entre Lisboa e Cascais, não pode faltar a visita ao Cassino Estoril e à Praia de Carcavelos. Percorrendo pouco menos de três quilômetros pela beira do mar, começando na praia da Conceição em Cascais e andando pelo paredão até chegar na Praia da Azarujinha, em São João do Estoril, o visitante pode, mais do que conhecer as charmosas praias e piscinas oceânicas, tomar um café em uma das esplanadas ou aproveitar para se exercitar nos equipamentos de esporte, explorar o Cassino do Estoril. Além das salas de jogos, o lugar recebe espetáculos de todos os jeitos – vale dar uma olhada na agenda para programar uma noite diferente.

De areia macia e dourada, a Praia de Carcavelos, por sua vez, também está entre as mais procuradas na região de Cascais, e é referência para o surf. Ideal para relaxar e curtir bons momentos com a família e os amigos, além de bela, Carcavelos é a primeira praia oceânica depois da foz do Rio Tejo. Conhecida pelo ritual de “primeiro banho do ano”, tradição que se realiza no Ano Novo desde 1950, é ainda a praia mais perto da cidade. Com 1 quilômetro de extensão, quase nunca fica insuportavelmente cheia. No paredão em que se distribuem bares, restaurantes e outros serviços, abertos até tarde, um refúgio para renovar a bateria. 

Onde comer

Cascais tem diversas opções de restaurantes, com uma gastronomia plural para todos os paladares. Como não poderia deixar de ser, a proximidade do mar explica a oferta de peixe e marisco, que não podem ficar de fora do cardápio. Mas a cozinha da cidade não se encerra assim. Pelo contrário, extensa e colorida, esbanja versatilidade. A chamada Rua Amarela, com seu burburinho em particular, tem tudo o que se pode comer e beber na via mais cool de Cascais. De comida indiana a hambúrgueres gourmet, e pratos que representam todos os continentes, tem para todo mundo.

O lugar era primeiro conhecido pela convidativa frase “Todos para a rua!”, reunindo vários bares e restaurantes. Foi em 2020, no tempo da pandemia, que o nome mudou para ser apenas a Rua Amarela, cor que simboliza a nova vida que ganhou uma das zonas mais icônicas da vila. A essência do lugar manteve-se trendy e cool – diferentes propostas culinárias abrem os braços para receber todos os que por ali passam. O único problema é que, com tamanha diversidade, é difícil saber o que pedir. 

Uma dica é a Taberna Clandestina, fruto do desejo de três amigos de Cascais e um italiano de abrir um espaço de tapas na vila. Com o vinho entre as estrelas do espaço na Rua Amarela, a pegada é essencialmente mediterrânica, com uma inclinação especial para a Itália. Em destaque, as bruschettas, que aparecem em cinco versões: a bruschetta clandestina, com tomate Cherry, queijo burrata, manjericão e pesto; a bruschetta portuguesa, com queijo da Serra e linguiça gratinados; a bruschetta de queijo Taleggio e Salame Finocchiona Toscana; para os vegetarianos existe a bruschetta vegetariana com alcachofras, legumes grelhados e porcini; e, por último, a bruschetta de queijo fresco “stracchino” e salmão vermelho selvagem do Alaska.

As sardinhas são um dos pratos típicos da região | Foto: Marden Couto

Onde ficar

Sobre o mar, perto da Boca do Inferno, da Marina de Cascais e o centro histórico, o hotel Vila Galé Cascais aproveita a localização privilegiada. Com 233 quartos e suítes, de dimensões generosas e com a visão descortinada para o Oceano Atlântico, o hotel foi revitalizado em 2009. O complexo reúne restaurante com estação de show cooking, dois bares, salas de eventos com luz natural, espaços de massagens e tratamentos estéticos. Por fora, os hóspedes desfrutam de jardins, a piscina e, para os mais novos, o parque infantil. 

Dali, logo se pode fazer um passeio pelo coração de Cascais, percorrendo a Rua Direita, principal artéria comercial da pitoresca cidade. Também é fácil chegar à Casa das Histórias de Paula Rêgo, caminhar pela Marina ou ir à Boca do Inferno e à Praia do Guincho. Nas proximidades do Vila Galé Cascais é possível ainda jogar golfe ou praticar surf, bodyboard e kitesurf.

‌Como chegar

O trem é a melhor opção para chegar a Cascais partindo de Lisboa, percorrendo os 30 quilômetros de distância que separam as cidades. Os trens da Linha Cascais partem diariamente da Estação Cais do Sodré, em Lisboa, em intervalos médios de 15 minutos entre as viagens, que se destinam a Cascais no ponto final. No caminho, há que se apreciar as paisagens que cercam com Rio Tejo, que aos poucos cedem espaço para a imensidão do Oceano Atlântico. A viagem leva pouco mais de 30 minutos.

Se a intenção é ir direto para o centrinho de Cascais, a dica é descer na última parada do trem, na Estação Cascais. Para quem quer visitar algumas das praias da região, o melhor é desembarcar na Estação Monte Estoril, e dali fazer o percurso até Cascais caminhando pelo Paredão, a calçada junto à orla. 

Para um roteiro ainda mais completo pela beira-mar, passando também pelas praias de Estoril, a descida pode ser na Estação São João do Estoril. Aí o percurso começará pela Praia da Azarujinha, Praia da Poça, Praia do Tamariz, Praia do Estoril, até chegar à Praia das Moitas e à orla de Cascais.

Se a ideia é ir de carro de Lisboa para Cascais, são duas as rotas: pela Linha, a estrada que segue às margens do Tejo e do mar, ou pela autopista A-5, mais rápida. Uma vez em Cascais, o veículo pode ser deixado no estacionamento subterrâneo do Largo da Estação, e o turista pode conhecer a vila a pé. Uma outra opção é utilizar os serviços de aplicativos, como Uber e Bolt.

O trem é uma das melhores opções de transportes para Cascais | Foto: Marden Couto/Lugares Viagens

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